Delação sobre filme de Bolsonaro mira rota do dinheiro, mas ainda depende do STF
Delação sobre filme de Bolsonaro mira rota do dinheiro, mas ainda depende do STF
A nova delação no caso Banco Master pode revelar o caminho do dinheiro destinado a “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Mas, entre suspeitas políticas e cifras milionárias, ainda falta uma etapa decisiva: a homologação pelo Supremo Tribunal Federal.
As diferentes coberturas concordam no ponto central. A PGR assinou um acordo de colaboração com Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, empresa apontada como intermediária de pagamentos determinados por Daniel Vorcaro. A proposta foi enviada ao ministro André Mendonça, relator do caso, e seus termos “ainda precisam ser homologados”.
A reportagem reunida no campo de oposição enfatiza as perguntas ainda sem resposta. Freixo teria detalhado remessas ao exterior e entregas de dinheiro vivo, mas afirmado desconhecer o destino final dos valores enviados ao Havengate, fundo sediado no Texas e administrado por um advogado próximo de Eduardo Bolsonaro. O texto também destaca sete transferências e uma mensagem na qual Fabiano Zettel pergunta se poderia “pedir pro Minas” para viabilizar um pagamento.
Nessa leitura, a principal tensão está entre o financiamento declarado do filme e a hipótese, investigada pela PF e pela PGR, de que parte dos recursos possa ter bancado despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. Também pesa a existência de um repasse em setembro de 2025, depois do prazo em que Flávio Bolsonaro havia dito que os pagamentos terminaram.
Já as coberturas do campo pró-governo dão maior peso à cautela processual e aos dados financeiros conhecidos. Uma delas informa que a Entre recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados, sem que se saiba quanto chegou efetivamente ao filme. A outra registra que Flávio Bolsonaro classifica os aportes como uma “negociação privada”.
As ênfases mudam, mas a conclusão converge: a delação poderá rastrear os recursos entre empresas brasileiras e o fundo nos Estados Unidos. Até a decisão do STF e a comprovação do destino do dinheiro, porém, suspeitas e explicações continuarão disputando espaço.
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