Pró-governo diz que operação expõe suposto balcão de propinas na Fazenda de São Paulo

O MP prendeu um ex-dirigente da Fazenda paulista e um advogado sob suspeita de negociar a liberação de créditos tributários. Enquanto investigadores apontam dinheiro em mochilas e lavagem, a secretaria destaca punições e cooperação.
Pró-governo diz que operação expõe suposto balcão de propinas na Fazenda de São Paulo

Pró-governo diz que operação expõe suposto balcão de propinas na Fazenda de São Paulo
Um mecanismo legítimo de recuperação de impostos teria virado um balcão clandestino dentro da Fazenda paulista. De um lado, o Ministério Público descreve uma engrenagem entre agentes públicos e operadores privados; de outro, a secretaria procura marcar distância dos investigados e enfatiza as providências já adotadas.

A ofensiva prendeu preventivamente André Weiss, ex-diretor-geral da Administração Tributária e antigo número três da pasta, e o advogado João André Buttini de Moraes. Segundo o MP, Weiss comandaria o núcleo público, enquanto Buttini lideraria o braço privado, responsável por captar grandes contribuintes e negociar facilidades. As supostas propinas variavam de 1% a 10% dos créditos fiscais — um arranjo descrito pelos investigadores como “mercado clandestino”.

A acusação sustenta que Buttini repassou cerca de R$ 13,6 milhões ao ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira Prado entre 2021 e 2025. Em colaboração premiada, Prado afirmou ter destinado aproximadamente R$ 4,5 milhões a Weiss, com entregas de dinheiro vivo em mochilas, principalmente em estabelecimentos de Pinheiros. O MP apura organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Uma gravação periciada acrescentou um elemento explosivo ao caso. Durante um almoço em 2023, Weiss teria cogitado comprar uma sauna: “E para lavar também é bom”. Em seguida, teria observado: “Quem que vai passar um cartão em sauna? Ninguém”. Os investigadores interpretam a conversa como discussão sobre lavagem de dinheiro, mas os documentos não indicam que a compra tenha ocorrido.

Relatórios financeiros também apontam movimentações milionárias ligadas ao cunhado de Weiss e uma forte expansão patrimonial de Buttini. A reportagem citada não localizou as defesas dos dois presos, deixando sem contraponto direto as acusações apresentadas pelo MP.

Já a Fazenda afirma colaborar com a investigação desde a Operação Ícaro. A pasta diz ter demitido cinco envolvidos, exonerado um servidor e afastado outros 17 sem remuneração. A diferença de ênfase é clara: o MP retrata uma rede que alcançou a cúpula administrativa; o governo estadual apresenta sua reação como prova de fiscalização e responsabilização.

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