Pró-governo diz que empréstimo britânico pode destravar fundo bilionário das florestas
Pró-governo diz que empréstimo britânico pode destravar fundo bilionário das florestas
O Reino Unido deu novo fôlego ao fundo climático liderado pelo Brasil, mas não assinou um cheque em branco. O compromisso de US$ 540 milhões combina apoio à preservação tropical, retorno financeiro e salvaguardas para o contribuinte britânico.
O aporte de 400 milhões de libras será feito como empréstimo e depende da conclusão das regras de governança e operação, além da participação britânica nas estruturas decisórias. Com o anúncio, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) chega a US$ 7,3 bilhões — ainda abaixo dos US$ 10 bilhões necessários até o fim do ano para manter o investimento norueguês de US$ 3 bilhões. Londres resume o modelo como uma mudança de postura: “atuando como investidor, em vez de doador”.
A diferença de ênfase é clara. Para o Brasil e organizações ambientais, o dinheiro fortalece um mecanismo que remunera países pela manutenção da floresta em pé. Para o governo britânico, o formato precisa entregar retorno e proteger as contas domésticas. “O investimento do Reino Unido no TFFF na forma de empréstimo, e não de doação, garante uma boa relação custo-benefício para o contribuinte britânico”, afirmou o Departamento de Segurança Energética e Emissões Zero.
O valor britânico também é menor que os compromissos anunciados por Alemanha e França, mas pode ajudar a atrair novos participantes. O TFFF pretende reunir US$ 125 bilhões, dos quais US$ 25 bilhões viriam de governos e instituições públicas, e aplicar os recursos em uma carteira de renda fixa.
Os rendimentos seriam divididos entre financiadores e países que conservam florestas tropicais. Até 74 nações em desenvolvimento poderiam receber pagamentos, sujeitos a descontos por desmatamento ou incêndios, e ao menos 20% da receita de cada país seria reservada a povos indígenas e comunidades locais. Assim, o mesmo acordo é vendido sob duas lentes: política climática de longo prazo para o Brasil e investimento reembolsável para Londres.
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