Morte de Gloria Steinem reacende disputa sobre seu legado feminista

Aos 92 anos, a cofundadora da revista Ms. deixa uma trajetória celebrada por avanços nos direitos das mulheres, mas contestada por sua defesa do aborto e por comparações políticas controversas.
Morte de Gloria Steinem reacende disputa sobre seu legado feminista

Morte de Gloria Steinem reacende disputa sobre seu legado feminista
A morte de Gloria Steinem encerra uma das trajetórias mais influentes do feminismo americano — mas não a disputa sobre seu significado. Enquanto parte da cobertura destaca sua contribuição aos direitos das mulheres, outra põe no centro sua militância pelo aborto e suas posições políticas mais controversas.

A jornalista e ativista morreu aos 92 anos, em sua casa, em Nova York. Segundo a fundação que leva seu nome, Steinem “faleceu pacificamente”, cercada por pessoas que a amavam; a causa da morte não foi divulgada.

As diferentes leituras concordam sobre a dimensão de sua influência. Steinem ganhou projeção na década de 1970 ao cofundar e editar a Ms. Magazine, publicação pioneira na discussão de temas feministas. Também ajudou a criar o Women’s National Political Caucus e ficou conhecida por uma reportagem dos anos 1960 na qual se infiltrou como funcionária do Playboy Club de Nova York para expor as condições de trabalho no local.

A divergência aparece na escolha do que define esse legado. Uma perspectiva enfatiza como Steinem impulsionou debates sobre aborto, trabalho e violência contra as mulheres, apresentando essas frentes como partes de uma mesma luta por autonomia e igualdade. Outra a descreve prioritariamente como ativista feminista e “pró-aborto”, recordando que ela interrompeu ilegalmente uma gravidez aos 22 anos e, décadas depois, criticou duramente Donald Trump e movimentos contrários ao aborto.

Essa segunda abordagem também ressalta uma declaração de 2019 na qual Steinem comparou aspectos da política antiaborto à ascensão de Adolf Hitler: “Ele fez campanha contra o aborto. Ele trancou as clínicas de planejamento familiar”. Para admiradores, a fala refletia seu histórico de alerta contra retrocessos; para críticos, exemplificava uma retórica excessiva.

Entre homenagens e contestações, o ponto comum permanece: Steinem ajudou a transformar debates antes marginalizados em temas centrais da política americana. Sua morte encerra uma vida pública, não a controvérsia que ela alimentou.

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