Delação põe malas de dinheiro no caminho de Vorcaro, mas destino segue obscuro

Antônio Carlos Freixo Júnior diz ter obtido dinheiro vivo para Daniel Vorcaro e feito remessas a um fundo nos EUA. A colaboração ainda aguarda validação, e o destino final dos recursos permanece desconhecido.
Delação põe malas de dinheiro no caminho de Vorcaro, mas destino segue obscuro

Delação põe malas de dinheiro no caminho de Vorcaro, mas destino segue obscuro
Uma delação coloca malas de dinheiro, operações sem lastro e remessas internacionais no centro do caso Banco Master. O relato detalha o caminho dos recursos, mas deixa em aberto a pergunta decisiva: quem recebeu o dinheiro no fim?

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou às autoridades que atuava como operador financeiro de Daniel Vorcaro. Segundo pessoas com conhecimento da colaboração, ele disse que passou a receber pedidos para operações consideradas “não ortodoxas”, incluindo a obtenção de dinheiro vivo e remessas sem lastro. Vorcaro teria transferido bens ou recursos às empresas de Mineiro, que recorria a outros operadores, pagava uma taxa de 4% e entregava as notas em malas ao então banqueiro.

Parte das transferências foi destinada ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, administrado pelo advogado Paulo Calixto. Investigadores apuram se os valores tiveram relação com o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ou se poderiam beneficiar Eduardo Bolsonaro ou outro aliado. Mineiro, porém, teria declarado não saber nem o destino do dinheiro em espécie nem o uso final das remessas internacionais.

A colaboração foi firmada com a Procuradoria-Geral da República em agosto e enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ainda sem decisão sobre a validação, o material pode ajudar a reconstruir pagamentos, mas não comprova por si só as suspeitas investigadas.

Já o conteúdo classificado como perspectiva de oposição no material fornecido não apresenta resposta às acusações. Em vez disso, trata da disputa eleitoral no Paraná: Sérgio Moro aparece com 45% para o governo estadual, enquanto Deltan Dallagnol, Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann estão tecnicamente empatados na corrida ao Senado. Assim, não há propriamente versões políticas conflitantes sobre as malas — há uma denúncia detalhada de um lado e, do outro, silêncio sobre o caso.

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