UE barra carne brasileira, e governo ameaça reagir

Bruxelas exige garantias sobre o uso de antimicrobianos, enquanto Brasília alega ter cumprido as regras e vê risco de protecionismo. No Paraná, o temor é de perdas anuais superiores a US$ 392 milhões.
UE barra carne brasileira, e governo ameaça reagir

UE barra carne brasileira, e governo ameaça reagir
A suspensão europeia abriu uma disputa que mistura segurança sanitária, acesso a mercados e pressão política. De um lado, Bruxelas cobra provas; do outro, Brasília afirma já ter feito sua parte e ameaça responder na mesma moeda.

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre antimicrobianos na pecuária, interrompendo compras de carne bovina, aves, ovos, mel e outros produtos. A Comissão Europeia sustenta que as vendas poderão voltar “uma vez demonstrado o cumprimento” das exigências. O governo brasileiro rebate: diz ter implementado as medidas necessárias e entregado a documentação pertinente.

Brasília também contesta a forma. Em nota, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura manifestaram “indignação com a ausência de diálogo prévio” e afirmaram esperar uma solução baseada em critérios científicos, “imune a pressões de natureza protecionista”. Se a negociação fracassar, o governo poderá acionar medidas de reciprocidade. A estimativa oficial é que as restrições ameacem quase US$ 2 bilhões anuais em exportações.

A leitura regional é menos diplomática e mais imediata. No Paraná, um dos principais polos de proteína animal do país, o Sistema Faep calcula perdas potenciais de US$ 392,2 milhões por ano. A avicultura é especialmente vulnerável: o estado responde por 42% das exportações brasileiras de carne de aves e vende à Europa cortes de maior valor agregado.

Essa perspectiva, porém, faz uma distinção importante: a suspensão não significa necessariamente que os produtos brasileiros sejam impróprios, mas que os mecanismos de comprovação ainda não foram considerados suficientes pelos europeus. Uma auditoria em aves e mel pode destravar o comércio se os controles nacionais forem aceitos.

As posições convergem num ponto: há espaço para solução técnica. Divergem sobre a origem do impasse — deficiência documental para a UE, tratamento desigual e possível protecionismo para o Brasil. Enquanto a auditoria avança, produtores absorvem o risco de uma batalha comercial que chegou justamente após o acordo entre Mercosul e União Europeia.

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