Pró-governo diz que liminar mantém Da Cunha no cargo e abre batalha sobre sua demissão

A Justiça suspendeu provisoriamente a demissão de Carlos Alberto da Cunha, enquanto sua defesa questiona o processo disciplinar e a Polícia Civil sustenta que houve falta grave.
Pró-governo diz que liminar mantém Da Cunha no cargo e abre batalha sobre sua demissão

Pró-governo diz que liminar mantém Da Cunha no cargo e abre batalha sobre sua demissão
A demissão do deputado federal Carlos Alberto da Cunha da Polícia Civil durou apenas algumas horas no papel. Uma liminar interrompeu a medida e transformou uma punição administrativa em nova disputa sobre ampla defesa, conduta policial e exposição nas redes.

De um lado, a defesa de Da Cunha contesta o caminho adotado no processo disciplinar. Os advogados afirmam que novos elementos teriam sido incluídos depois do encerramento da instrução e das alegações finais. Ao suspender a demissão, o desembargador Álvaro Torres Júnior apontou o risco de a penalidade produzir efeitos antes de uma análise aprofundada; a decisão é monocrática e ainda deverá passar pelo Órgão Especial do TJ-SP.

A defesa tratou a liminar como uma vitória do devido processo legal. Em nota, disse que a medida “reforça o compromisso da justiça com o estado de direito e à ampla defesa” e afirmou que Da Cunha continua delegado, embora esteja afastado, sem salário, durante o mandato parlamentar.

Do outro lado, a Polícia Civil sustenta que o caso envolve procedimento irregular grave e improbidade. O processo remonta a 2020, quando Da Cunha teria mandado reencenar diante das câmeras o resgate de uma vítima de sequestro, apresentando-se no vídeo como responsável pela descoberta do cativeiro. Segundo a investigação, as imagens foram usadas para ampliar sua projeção nas redes sociais. Ele também se tornou réu por abuso de autoridade e constrangimento ilegal, mas ainda não foi julgado.

As versões convergem em um ponto: a liminar não encerra o caso. Para a defesa, ela impede que um processo supostamente irregular produza dano imediato; para a administração policial, apenas adia uma punição recomendada após apuração interna. Até o julgamento definitivo, Da Cunha preserva o vínculo funcional e ganha fôlego político para buscar a reeleição em 2026.

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