Oposição diz que relato de Vorcaro expõe pressão para blindar nomes do governo

Vorcaro afirma ter sofrido maus-tratos e intimidação para limitar uma possível delação. A PGR contrapõe que o depoimento não trouxe provas concretas e pediu o arquivamento do procedimento.
Oposição diz que relato de Vorcaro expõe pressão para blindar nomes do governo

Oposição diz que relato de Vorcaro expõe pressão para blindar nomes do governo
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em depoimento sigiloso ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, que sofreu intimidações na prisão e pressão para não mencionar integrantes do governo em uma eventual colaboração premiada. Entre os nomes citados está o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com quem disse ter mantido uma relação cordial antes das investigações.

O relato mais grave envolve uma transferência de helicóptero. Segundo Vorcaro, ele viajou vendado e ouviu de agentes: “De repente, é mais fácil jogar ele daqui”. O empresário disse ter interpretado a frase como ameaça de morte simulada como suicídio. Também descreveu horas em compartimento quente e sem ventilação, privação de água e comida, luz permanentemente acesa e dificuldades de acesso aos advogados.

Vozes da oposição adotaram a versão como indício de que uma delação estaria sendo bloqueada. Eduardo Bolsonaro compartilhou a afirmação de que Vorcaro teria “muito a relatar”, mas não estaria sendo ouvido, associando o impasse a Rodrigues. Essa leitura, porém, vai além do que foi comprovado no depoimento.

O contraponto aparece nos próprios detalhes da audiência. Vorcaro não apresentou datas, locais ou provas de irregularidades atribuídas a Rodrigues; tampouco identificou quem teria ordenado as supostas intimidações. Questionado, negou ter sido ameaçado pessoalmente por algum delegado da PF ou diretamente pela Procuradoria-Geral da República.

A PGR pediu o arquivamento do procedimento. Para o procurador-geral Paulo Gonet, faltam “elementos objetivos” capazes de sustentar as acusações. O órgão também criticou a audiência reservada — realizada sem a PF e no mesmo horário em que Vorcaro deveria depor aos investigadores — e já havia rejeitado propostas anteriores de colaboração por não enxergar informações novas e relevantes.

Assim, o caso opõe uma denúncia de extrema gravidade a uma lacuna igualmente decisiva: até agora, o material relatado não veio acompanhado de provas concretas.

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