Oposição diz que Gilmar tenta desviar o foco da crise no STF ao mirar delegados da PF

Gilmar Mendes defende afastar delegados dos gabinetes para reduzir dúvidas sobre a influência da PF em investigações. A associação da categoria rebate que o apoio é técnico e que a medida atribui aos policiais uma crise que não criaram.
Oposição diz que Gilmar tenta desviar o foco da crise no STF ao mirar delegados da PF

Oposição diz que Gilmar tenta desviar o foco da crise no STF ao mirar delegados da PF
O ministro Gilmar Mendes sugeriu ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal sejam impedidos de trabalhar nos gabinetes dos integrantes da Corte. O argumento é preventivo: a presença dos agentes poderia gerar dúvidas sobre eventual influência da PF na condução de investigações.

Na avaliação de Gilmar, a mudança também ajudaria a conter o desgaste entre o ministro André Mendonça e a direção-geral da Polícia Federal. A tensão aumentou após Mendonça retirar o sigilo de investigações sobre o Banco Master, caso que alcança autoridades e envolve o vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), porém, enxerga a questão pelo ângulo oposto. Seu presidente, Edvandir Paiva, classificou a proposta como “lamentável” e afirmou que os delegados lotados nos gabinetes estão ali por sua “expertise” e seu “conhecimento técnico”.

Para Paiva, o apoio não representa interferência, mas especialização — semelhante à assistência prestada por juízes auxiliares e advogados da União. “Magistrados não são obrigados a dominar todos os ramos e situações que chegam a sua apreciação”, argumentou.

O choque, portanto, está na leitura do risco. Gilmar vê a proximidade institucional como possível fonte de influência e de questionamentos sobre os inquéritos; a ADPF sustenta que afastar os delegados reduziria a capacidade técnica dos gabinetes sem atacar a origem da crise. “Certamente os problemas atuais da Suprema Corte não são responsabilidade dos delegados”, disse Paiva, acrescentando que responsabilizá-los seria “o caminho mais fácil para tirar o foco dos problemas que realmente merecem solução”.

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