Pró-governo diz que reestruturação da Globo abre disputa sobre crise interna

A Globo atribui a saída de três executivos a uma reorganização estratégica, enquanto relatos externos apontam pressões ligadas à Copa do Mundo, ao Globoplay e a disputas de poder.
Pró-governo diz que reestruturação da Globo abre disputa sobre crise interna

Pró-governo diz que reestruturação da Globo abre disputa sobre crise interna
A Globo confirmou as saídas de Manuel Belmar, diretor financeiro, Manuel Falcão, responsável por marca e comunicação, e Pedro Garcia, diretor de aquisição e direitos. Na versão oficial, não se trata de uma reação a resultados recentes, mas de uma “nova estrutura organizacional para se alinhar à evolução da estratégia corporativa da empresa”. A companhia também afirmou que a reorganização é o “único motivo” para as movimentações.

Fora do comunicado, a leitura é mais turbulenta. Antes da confirmação, relatos descreveram a reformulação como uma disputa de poder apelidada de “Casamento Vermelho”. Também associaram o desgaste de Belmar à perda da exclusividade da Copa do Mundo e à estagnação das receitas do Globoplay — interpretações não confirmadas pela empresa.

A Globo rebateu especialmente a tentativa de responsabilizar individualmente Belmar pela estratégia do Mundial. João Roberto Marinho declarou que a renegociação dos direitos foi decidida pelo Conselho de Administração. Ao mesmo tempo, a criação de uma diretoria unificada de Distribuição e Direitos Esportivos, sob Fernando Ramos, mantém o tema no centro da reorganização.

No novo desenho, Amauri Soares ganha maior poder sobre a integração entre TV Globo e Estúdios Globo, enquanto Júlia Rueff assume Plataformas Digitais. Consumidor, Marketing e Marca também serão reunidos em uma nova área, ainda sem liderança definitiva.

As saídas encerram ciclos longos. Belmar estava no grupo desde 2003 e teve papel central na unificação corporativa e na expansão digital. Falcão ingressou em 1996, como estagiário, e ajudou a conduzir o projeto “Uma Só Globo”. Garcia, por sua vez, deixa a companhia após 45 anos.

O contraste é claro: a Globo vende agilidade, integração e continuidade; os relatos críticos veem correção de rota e redistribuição de poder. A transição de Belmar, contudo, será gradual e só deverá terminar no primeiro trimestre de 2027.

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