Pró-governo diz que Nova Zelândia aposta no MDMA contra TEPT apesar das dúvidas dos EUA

Dois psiquiatras poderão prescrever MDMA farmacêutico a adultos com TEPT grave, sempre sob supervisão e com psicoterapia. A abertura neozelandesa contrasta com a cautela dos EUA e a proibição vigente no Brasil.
Pró-governo diz que Nova Zelândia aposta no MDMA contra TEPT apesar das dúvidas dos EUA

Pró-governo diz que Nova Zelândia aposta no MDMA contra TEPT apesar das dúvidas dos EUA
A Nova Zelândia abriu uma porta estreita — e rigorosamente controlada — para o uso medicinal do MDMA. A Medsafe autorizou dois psiquiatras a prescrever a substância, em grau farmacêutico, a maiores de 18 anos com transtorno de estresse pós-traumático grave. O tratamento deverá ocorrer sob supervisão, combinado com psicoterapia, sem que pacientes possam levar o produto para casa.

Para o governo neozelandês, a medida amplia as opções disponíveis a pessoas que não respondem bem às abordagens convencionais. “O TEPT destrói vidas e é difícil de tratar”, afirmou o vice-primeiro-ministro David Seymour. Segundo ele, o MDMA pode ser eficaz em terapias assistidas por psicodélicos, e o país está comprometido com o acesso a tratamentos inovadores.

A decisão coloca a Nova Zelândia ao lado da Austrália, que autorizou o uso terapêutico da substância em 2023. Mas o contraste com os Estados Unidos é marcante: em 2024, a FDA recusou a legalização do MDMA medicinal por considerar insuficientes as evidências sobre segurança e eficácia. Ensaios clínicos continuam em andamento no país.

O cenário brasileiro é ainda mais restritivo. O MDMA, princípio ativo do ecstasy, integra a Lista F2 de substâncias psicotrópicas da Anvisa. Uso, produção e comércio são proibidos, salvo exceções autorizadas, como pesquisas científicas.

Assim, a iniciativa neozelandesa não representa uma liberação ampla, mas uma aposta clínica delimitada. De um lado, Wellington enfatiza inovação, supervisão médica e pacientes graves; de outro, a cautela americana e a proibição brasileira mostram que a aceitação regulatória do MDMA continua longe de um consenso internacional.

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