Adiamento da escala 6x1 joga batalha trabalhista para depois das urnas
Adiamento da escala 6x1 joga batalha trabalhista para depois das urnas
O fim da escala 6x1 avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas perdeu o embalo antes de chegar ao plenário. Após um apelo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu deixar a votação para depois das eleições — embora tenha indicado que ela ainda poderá ocorrer em 2026.
Segundo a coluna de Leonardo Sakamoto, Flávio argumentou que votar agora “iria desequilibrar as eleições”. A leitura de integrantes do governo e de senadores ouvidos pelo colunista é outra: o adiamento reduz as chances de aprovação, pois retira a pressão eleitoral sobre uma proposta que teria cerca de 70% de apoio popular. A renovação de dois terços do Senado, sustentam os defensores da PEC, era justamente o maior incentivo para obter votos.
Os dois lados concordam, ainda que por razões opostas, sobre o peso eleitoral da medida. Flávio havia defendido uma alternativa baseada na remuneração por hora e na negociação entre empregadores e trabalhadores. Críticos respondem que esse modelo preservaria a escala 6x1 como teto e deixaria empregados com menor poder de barganha mais vulneráveis.
Lula, por sua vez, transformou a proposta em prioridade política e social. O presidente afirmou que o texto ainda precisa “vencer a batalha contra aqueles que se opõem a um dia a mais de descanso” para os trabalhadores. Setores econômicos, porém, alertam para possíveis impactos sobre custos e atividade econômica.
A aritmética agora pesa tanto quanto o discurso: a PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos. Ao transferir a decisão para depois das urnas, Alcolumbre aliviou a pressão imediata sobre os senadores — mas tornou mais incerto o destino de uma das principais apostas do governo no Congresso.
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