Caso Master coloca Gonet sob pressão dentro do próprio MPF

O Conselho Superior do MPF analisará mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, enquanto parlamentares cobram independência e aliados de Gonet veem a apuração como oportunidade para afastar suspeitas.
Caso Master coloca Gonet sob pressão dentro do próprio MPF

Caso Master coloca Gonet sob pressão dentro do próprio MPF
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu uma frente institucional para examinar as mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citam Paulo Gonet. Provocado por parlamentares do Novo, o procedimento ficará sob relatoria do subprocurador Francisco de Assis Sanseverino; a expectativa é que Gonet seja ouvido antes de qualquer decisão do colegiado.

De um lado, os autores do pedido evitam acusar o procurador-geral de crime, mas sustentam que as referências a ele e a familiares criam uma questão institucional. A legislação permite ao Conselho designar outro subprocurador para atuar em apurações sobre eventual crime comum atribuível ao chefe da PGR — mecanismo apontado pelos parlamentares como forma de preservar a independência do caso.

O material da Polícia Federal dá combustível à cobrança. Há mensagens em que o advogado Ciro Soares teria dito a Vorcaro que “Gonet é firme” e “ele quer falar com você”. Outros registros mencionam uma viagem a Londres de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, supostamente com despesas pagas, além de um pedido de Vorcaro para reforçar contatos com “Andrei e Paulo”.

Do outro lado, interlocutores de Gonet tratam o procedimento como oportunidade, não como revés. A estratégia seria comparecer ao Conselho, negar proximidade com Vorcaro e demonstrar que não houve interferência na investigação, antecipando-se a uma apuração formal. Mesmo entre procuradores que apoiam o PGR, porém, existe preocupação com o impacto do episódio sobre a reputação da instituição.

A pressão externa é mais direta. Leandro Ruschel afirmou que o primeiro passo para o MP recuperar “um pingo de respeitabilidade” seria afastar Gonet do caso. Eduardo Bolsonaro elevou ainda mais o tom ao publicar uma pergunta acusatória relacionando Gonet ao suposto risco sofrido por Vorcaro, sem apresentar provas da alegação no post.

Gonet já pediu a anulação do relatório da PF. Agora, terá de escolher entre sustentar essa batalha jurídica e usar o Conselho para responder, dentro da própria instituição, às suspeitas que avançaram para o terreno político.

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