Barcos afundados no Pacífico expõem choque entre ofensiva antidrogas e relatos de pescadores

EUA e Equador dizem ter atingido a logística marítima dos Los Choneros, mas familiares negam vínculos com o narcotráfico e questionam as provas e o uso de força letal.
Barcos afundados no Pacífico expõem choque entre ofensiva antidrogas e relatos de pescadores

Barcos afundados no Pacífico expõem choque entre ofensiva antidrogas e relatos de pescadores
Estados Unidos e Equador descrevem a destruição de três embarcações no Pacífico Oriental como parte de uma ofensiva baseada em inteligência contra a estrutura logística dos Los Choneros. Familiares e proprietários, porém, oferecem uma versão radicalmente diferente: os tripulantes estariam pescando, não apoiando o transporte de drogas.

As ações ocorreram em 28 de agosto e em 2 e 3 de setembro. Segundo o Comando Sul dos EUA, os barcos funcionavam como postos flutuantes de combustível para lanchas do narcotráfico. Militares abordaram as embarcações, retiraram seus ocupantes, fizeram buscas e depois as afundaram. “Estamos tomando ações decisivas para desmantelar e destruir redes logísticas sofisticadas usadas por narcoterroristas para traficar drogas e espalhar violência pelo Hemisfério Ocidental”, afirmou o general Francis Donovan.

Quito insiste que não se tratou de uma reação improvisada. “Isso não é algo feito de maneira leviana ou porque apareceu algo suspeito e se decidiu agir”, disse o ministro do Interior, John Reimberg. Para o governo equatoriano, embarcações maiores abasteciam lanchas que seguiriam rumo ao México e aos Estados Unidos.

Do outro lado, parentes afirmam que nenhuma droga foi encontrada. Rosalba, esposa de um dos tripulantes, disse que o barco carregava apenas peixes e teria sido atingido em águas equatorianas. “Não entendo por que o governo dos EUA tem que agir de forma tão arbitrária”, declarou, acusando Washington de violar os direitos humanos dos pescadores. A Reuters informou não ter conseguido verificar independentemente esse relato, nem a data e o local das imagens militares divulgadas.

A operação terminou sem mortes relatadas: 28 tripulantes do Conquista 2 e do OM2 chegaram a Manta, enquanto outros oito ainda retornavam ao porto. O contraste permanece aberto: para os governos, foi uma ação cirúrgica contra uma rede criminosa; para as famílias, uma demonstração de força sustentada por acusações ainda não comprovadas publicamente.

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