Pró-governo diz que petróleo “chique” na Foz do Amazonas pode virar novo trunfo do Brasil
Pró-governo diz que petróleo “chique” na Foz do Amazonas pode virar novo trunfo do Brasil
As primeiras amostras do poço Morpho, perfurado pela Petrobras no litoral do Amapá, alimentam uma narrativa de forte potencial econômico para a Margem Equatorial. Testes preliminares apontam petróleo entre 35 e 40 graus API — faixa de óleo leve, que tende a exigir menos processamento e render derivados valiosos, como gasolina, diesel e querosene de aviação. Entusiasmado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resumiu a aposta: “Parece que está refinado já de tão leve. Temos a chance de ter um petróleo muito chique.”
A comparação reforça esse otimismo. Se o resultado for confirmado, Morpho poderá apresentar óleo mais leve que o de Tupi, Búzios e Mero, no pré-sal, e ficar próximo — ou até acima — das principais correntes produzidas na Guiana. A leitura pró-governo é clara: além de ajudar na reposição das reservas brasileiras, a descoberta pode elevar o peso estratégico da Foz do Amazonas no portfólio da Petrobras.
Mas o contraponto técnico reduz a temperatura da celebração. As análises ainda estão em fase final no Cenpes, no Rio de Janeiro, depois de as amostras percorrerem mais de 2 mil quilômetros por mar sob condições controladas. E densidade não é sinônimo automático de rentabilidade. “Mas o API não determina sozinho quanto vale um barril. O teor de enxofre, a acidez, a composição química e o perfil de destilação também interferem na avaliação feita pelas refinarias e pelo mercado.”
Assim, as duas leituras convergem sobre a qualidade preliminar do material, mas diferem na ênfase. A visão mais entusiasmada enxerga uma oportunidade comparável à da Guiana; a abordagem cautelosa lembra que composição, adaptação das refinarias e potencial comercial ainda precisam ser confirmados. Enquanto isso, a Petrobras já recebeu autorização do Ibama para perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59 e mantém outros processos de licenciamento na região.
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