Pró-governo diz que ataque a João Victor expõe homofobia tratada como entretenimento
Pró-governo diz que ataque a João Victor expõe homofobia tratada como entretenimento
A abordagem ocorreu na madrugada de sábado (5), quando João Victor Gonçalves deixava o Rock in Rio. Um grupo ligado ao streamer GH seguiu o ator, riu e gritou ofensas como “Tá horroroso”; nas imagens da transmissão, um jovem também ergue um saco preto e quase atinge sua cabeça. Para a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), não se tratou de uma brincadeira: “Quando nossas existências viram conteúdo ou piada, a desumanização já está em curso”. Acionado por ela, o Ministério Público confirmou que investigará o caso.
Gonçalves fez a mesma distinção entre humor e violência. “Homofobia não é entretenimento”, afirmou. O ator comparou o episódio à trajetória de Mau Mau, seu personagem em Quem Ama Cuida, que enfrenta preconceito dentro de casa: “Ele engole e segue. Talvez tenha sido isso que eu fiz hoje”. Embora tenha dito estar bem e contar com uma rede de apoio, avisou que a agressão “não vai passar em branco” e defendeu o direito de simplesmente andar na rua sem sofrer preconceito.
GH apresentou uma leitura oposta. O streamer pediu desculpas, mas sustentou que pretendia animar uma transmissão com pouco conteúdo. “Fui fazer um entretenimento com o cara que estava passando na rua e me dei mal”, disse. Ao mesmo tempo, rejeitou a acusação central: “Jamais. Não tenho preconceito contra ninguém”.
As versões convergem apenas no reconhecimento de que a abordagem teve consequências — Gonçalves relata dor; GH admite erro. Divergem, porém, sobre sua natureza. Para o ator e Hilton, transformar uma pessoa em alvo público reproduz a homofobia. Para o streamer, foi uma tentativa malsucedida de entretenimento, sem intenção discriminatória. Caberá agora ao Ministério Público avaliar se a alegação de conteúdo improvisado resiste ao que as imagens registraram.
https://resumosbrasil.com/stories/01a0729c-e4da-3f3b-71fa-10c241b73e51
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