Capital Inicial transforma clássico da Legião em recado a Vorcaro, STF e toda a política

Dinho Ouro Preto chamou o Brasil de “distopia” antes de cantar “Que País É Este?”. Enquanto parte da cobertura destacou o ataque político, outra tratou o episódio como um dos elementos de uma noite marcada por nostalgia e peso.
Capital Inicial transforma clássico da Legião em recado a Vorcaro, STF e toda a política

Capital Inicial transforma clássico da Legião em recado a Vorcaro, STF e toda a política
O Capital Inicial levou a política ao centro do Rock in Rio ao dedicar “Que País É Este?” a Daniel Vorcaro, aos ministros do Supremo Tribunal Federal e a políticos dos dois principais campos ideológicos. Para a cobertura de oposição, o episódio foi tratado como “algo histórico”, com destaque para a cobrança pública por explicações.

Dinho Ouro Preto, porém, distribuiu sua indignação sem escolher apenas um lado. “Essa música é para o Daniel Vorcaro, para os ministros do Supremo, para os políticos da esquerda e da direita. Isso aqui é para a distopia brasileira”, declarou antes de cantar o clássico composto por Renato Russo. A fala ocorreu dias depois de o ministro André Mendonça retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre o caso Banco Master, nos quais são mencionadas autoridades do STF, da Procuradoria-Geral da República e da própria PF.

A cobertura identificada como pró-governo registrou o mesmo discurso, mas mudou o enquadramento: em vez de apresentar o show sobretudo como uma ofensiva contra autoridades, descreveu a manifestação como a introdução da política em uma noite dominada por guitarras pesadas, sinalizadores e rodas de mosh pit.

Essa diferença de lente não altera o ponto central. Dinho criticou Vorcaro e o Supremo, mas também fez questão de incluir esquerda e direita no alvo. Ao lado de Dado Villa-Lobos, o Capital Inicial ainda revisitou “Será”, “Geração Coca-Cola” e “Quase Sem Querer”, numa homenagem a Renato Russo e à história compartilhada das duas bandas, ambas ligadas ao Aborto Elétrico.

No fim, nostalgia e contestação caminharam juntas: um repertório de quase quatro décadas serviu para transformar a memória do rock de Brasília em comentário direto sobre o Brasil atual.

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