Putin pausa ataques a Kiev enquanto enviados de Trump tentam destravar a paz
Putin pausa ataques a Kiev enquanto enviados de Trump tentam destravar a paz
Vladimir Putin determinou uma pausa de três dias nos ataques russos contra Kiev durante a passagem de Steve Witkoff e Jared Kushner pela região. Os enviados do presidente americano, Donald Trump, chegaram a Moscou neste sábado (5) com a missão de reavivar as negociações para encerrar a guerra — um tema que voltou à agenda internacional da Casa Branca após meses de menor atenção.
O Kremlin apresenta a suspensão como parte de um entendimento recíproco. Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, Kiev informou Moscou de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também interromperia ataques contra a Rússia enquanto Witkoff e Kushner estivessem nos dois países. Washington, por sua vez, havia exigido garantias de segurança de ambos os lados para a missão, depois de Moscou inicialmente negar que houvesse um acordo com a Ucrânia.
As três partes convergem, ao menos temporariamente, na necessidade de proteger a delegação. Divergem, porém, sobre o alcance político da pausa. Para os americanos, a janela pode ajudar a recolocar uma proposta de paz em movimento; para Moscou e Kiev, trata-se até agora de uma interrupção limitada, vinculada à presença dos emissários — não de um cessar-fogo mais amplo.
O momento também expõe a fragilidade da iniciativa. A suspensão foi anunciada um dia depois de a Rússia bombardear o prédio do Serviço de Segurança da Ucrânia, em Kiev, no primeiro ataque à sede desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. A ofensiva deixou feridos e ocorreu após semanas de intensificação dos ataques aéreos russos, responsáveis por centenas de mortos e feridos na capital e em sua região metropolitana.
A missão de Witkoff e Kushner começa, portanto, com um raro intervalo nos ataques — mas sob o peso de uma escalada que torna qualquer avanço diplomático especialmente incerto.
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