Novo mapa da ONU isola os EUA e devolve à África seu tamanho real
Novo mapa da ONU isola os EUA e devolve à África seu tamanho real
A Assembleia-Geral da ONU aprovou, por 164 votos, uma resolução que incentiva governos, escolas, organizações e empresas de tecnologia a considerar projeções cartográficas de áreas equivalentes, como a Equal Earth. Seis países se abstiveram, e os Estados Unidos foram os únicos a votar contra.
A mudança não redesenha fronteiras nem altera o tamanho de país algum. Ela troca a prioridade visual: enquanto a projeção de Mercator preserva ângulos e direções — vantagem que explica seu uso histórico na navegação —, amplia territórios à medida que se aproximam dos polos. Por isso, a Groenlândia pode parecer quase tão grande quanto a África, embora o continente africano tenha cerca de 14 vezes sua área. A Equal Earth preserva melhor as proporções, mas também deforma outros aspectos: nenhuma superfície esférica pode ser transferida perfeitamente para um plano.
Para os defensores da campanha “Correct the Map”, a escolha não é apenas técnica. A União Africana classificou a votação como “um passo histórico em direção a uma representação cartográfica global precisa e equitativa” e argumentou que o novo modelo permite refletir “a verdadeira escala, o peso e o lugar da África no mundo”.
Washington enxerga justamente aí o problema. A vice-representante norte-americana Yaryna Ferencevych afirmou que a iniciativa não pode ser separada de “um projeto ideológico muito maior e mais radical”. Para ela, discutir projeções do século 16 e “justiça cognitiva” desvia a ONU de paz, prosperidade e relações internacionais.
No Brasil, a resolução reforça uma experiência já em curso. O IBGE incorporou a Equal Earth a um mapa lançado em maio e considera que a decisão da ONU oferece “nova legitimidade internacional” a esse trabalho. Ainda assim, não haverá substituição compulsória: Mercator continua útil para navegação, e a resolução não tem força jurídica obrigatória. O embate é menos sobre qual mapa é perfeito — nenhum é — e mais sobre quais distorções o mundo aceita normalizar.
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