Anvisa dá aval excepcional a Lito, mas esposa diz que rito vale para qualquer cidadão
Anvisa dá aval excepcional a Lito, mas esposa diz que rito vale para qualquer cidadão
A autorização para importar e usar um medicamento experimental trouxe uma fresta de esperança a Lito Sousa, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, condição rara, neurodegenerativa e de rápida evolução. A Anvisa considerou o caráter letal e irreversível da enfermidade, além da inexistência de patrocinador ou representante do produto no Brasil. Lito resumiu a mudança de perspectiva em números: “Naquele dia eu tinha 0% de escapar dessa doença e agora eu tenho 0,1%”. Sua mulher, Mila Seidl, comemorou: “Um dia de vitória! Bora que esse remédio precisa chegar logo!”.
O caráter “excepcional” da autorização, porém, ganhou interpretações distintas. Mila rebateu a ideia de que a agência tenha criado uma exceção específica para o influenciador. “Não é algo que foi feito para o Lito. Qualquer cidadão pode pleitear e cabe à Anvisa avaliar e deferir ou indeferir”, afirmou. Segundo ela, a família apresentou a documentação exigida, e a urgência foi reconhecida pela Anvisa, pelo Ministério da Saúde e pela FDA, agência reguladora dos Estados Unidos. Mesmo com o fluxo acelerado, o processo levou uma semana — demora que ela descreveu como angustiante.
As duas versões convergem no essencial: não houve aprovação convencional do remédio, mas uma liberação para uso compassivo diante de uma doença sem tratamento capaz de interromper sua progressão. A diferença está na ênfase. De um lado, a excepcionalidade regulatória de um produto ainda sem estudos clínicos formalmente iniciados em humanos para doenças priônicas; de outro, a insistência da família de que isso não representa privilégio, mas um caminho legal acessível a outros pacientes.
Também há divergência pública sobre a identificação do produto. Uma reportagem o apresenta como ALN-6457, um siRNA voltado à proteína priônica; outra informa que Lito assinou um termo de confidencialidade e que divulgar o nome do medicamento ou da farmacêutica poderia comprometer o tratamento. A expectativa da família é que a medicação chegue ao Brasil em cerca de uma semana e seja administrada pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
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