Caso Master coloca delegados da PF em choque com Gonet

A ADPF acusa a PGR de usar um instrumento inadequado para apurar policiais que cumpriram ordem judicial. Gonet, por sua vez, questiona a origem e a validade do relatório no qual é citado.
Caso Master coloca delegados da PF em choque com Gonet

Caso Master coloca delegados da PF em choque com Gonet
A disputa em torno do Banco Master virou um confronto aberto entre a Procuradoria-Geral da República e os delegados da Polícia Federal. Paulo Gonet comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma apuração sobre possível “ordem ou interferência externa” na elaboração do relatório que relacionou Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro — e também mencionou o próprio procurador-geral.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que representa mais de 2,3 mil profissionais, contesta tanto o método quanto a participação de Gonet. Para a entidade, os policiais apenas cumpriram uma determinação de André Mendonça, então relator do caso no Supremo, “nos estritos limites nela fixados”.

O contraste é direto. Gonet sustenta que Mendonça extrapolou suas atribuições e chegou a pedir a nulidade do relatório, afirmando que “ao juiz não cabe acusar” nem conduzir investigações pré-processuais. Já a ADPF argumenta que, se a PGR considera irregular a ordem judicial, deve questioná-la no próprio processo — não investigar seus executores.

A associação pede três medidas: o impedimento de Gonet nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado, o arquivamento do controle externo aberto pela PGR e uma investigação integral da Operação Compliance Zero, “sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”. Também afirma que o controle externo da atividade policial não cria hierarquia nem funciona como “instância de revisão de decisões judiciais”.

Embora veículos classificados como pró-governo e de oposição descrevam essencialmente o mesmo embate, o tom diverge. A cobertura mais institucional enfatiza o conflito de competências; vozes da oposição transformam o episódio em cobrança política direta. Leandro Ruschel, por exemplo, afirmou que afastar Gonet seria o primeiro passo para o Ministério Público recuperar “respeitabilidade”.

No centro da crise permanece uma pergunta incômoda: quem fiscaliza a investigação quando o próprio fiscal aparece no material investigado?

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