Pró-governo diz que “entretenimento” não apaga denúncia de homofobia no Rock in Rio

João Victor Gonçalves afirma ter sido alvo de homofobia; o streamer GH nega preconceito e o Rock in Rio delimita sua responsabilidade. Ministério Público e Polícia Civil apuram o episódio.
Pró-governo diz que “entretenimento” não apaga denúncia de homofobia no Rock in Rio

Pró-governo diz que “entretenimento” não apaga denúncia de homofobia no Rock in Rio
João Victor Gonçalves afirma que foi seguido, ridicularizado por suas roupas e filmado por um grupo ligado ao streamer GH quando caminhava nas imediações do Rock in Rio. Depois de inicialmente seguir em frente, o ator disse ter compreendido a dimensão do episódio ao chegar em casa: “Havia se tratado de uma agressão e de um ataque homofóbico.” Ele também cobrou mais segurança no entorno do festival.

GH apresenta outra interpretação. Embora tenha pedido desculpas, o streamer disse que fazia “entretenimento” para movimentar uma transmissão com pouco conteúdo. Também rejeitou a acusação central: “Jamais. Não tenho preconceito contra ninguém.” A justificativa, porém, colide com o relato de João Victor: para o ator, transformar sua aparência e seu modo de andar em espetáculo público não foi brincadeira, mas discriminação.

A organização do Rock in Rio condenou violência, assédio e preconceito, mas delimitou sua responsabilidade. Segundo o festival, a abordagem aconteceu além do perímetro coberto por sua segurança privada; nas áreas públicas, a proteção cabe aos órgãos competentes. João Victor contesta, na prática, essa fronteira ao dizer que acreditava estar seguro no acesso ao evento.

A deputada federal Erika Hilton acionou o Ministério Público e anunciou que cobraria melhorias na saída dos shows. “Quando nossas existências viram conteúdo ou piada, a desumanização já está em curso”, afirmou. O órgão confirmou que investigará o caso.

A controvérsia ganhou ainda outra frente quando GH associou a declaração do ator — de que temeu ser roubado — a racismo. Os advogados de João Victor rechaçaram a acusação, alegando que o receio decorreu da abordagem intimidatória de quatro pessoas e da falta de segurança: “Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial.” A Polícia Civil, por meio da Decradi, também decidiu apurar o episódio, apesar de não haver registro inicial de ocorrência.

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