Deportado de Portugal, jovem descobre no Brasil que residência havia sido aprovada

Kauê Matos ficou quatro dias retido em Lisboa e foi enviado ao Brasil sem que a família soubesse o voo. Horas depois, descobriu que o processo que permitiria sua permanência em Portugal fora aceito.
Deportado de Portugal, jovem descobre no Brasil que residência havia sido aprovada

Deportado de Portugal, jovem descobre no Brasil que residência havia sido aprovada
Kauê Matos, de 19 anos, morava havia dois anos em Portugal com os pais e o irmão quando uma demora administrativa mudou o rumo de sua vida. O processo familiar, previsto para durar cerca de 90 dias, arrastou-se por dois anos. Nesse intervalo, ele completou 18 anos e perdeu a possibilidade de obter residência por reagrupamento familiar.

A alternativa era pedir autorização como estudante. Segundo o advogado Renato Teixeira, porém, o formulário não estava disponível no portal da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), enquanto telefonemas e e-mails não eram respondidos. “Você faz centenas e centenas de ligações, fica às vezes cinco horas tentando ligar para a Aima e ninguém atende o telefone.”

O impasse terminou na fronteira. Ao regressar de um intercâmbio na Irlanda, Kauê foi retido pela Polícia de Segurança Pública no aeroporto de Lisboa. Ele relata que passou quatro dias sem banho, encontrou camas “extremamente sujas” e dormiu numa cadeira na primeira noite. Também afirma que sua família e seu advogado não foram oficialmente informados sobre o voo da deportação.

Já no Brasil, veio a reviravolta: o processo que poderia permitir sua permanência havia sido aceito. “Eu fico extremamente revoltado porque ninguém avisou os meus pais que eu estava sendo deportado. E, após eu ser deportado, o processo deu certo”, disse Kauê.

As duas reportagens apresentam versões praticamente coincidentes sobre a demora, a retenção e a falta de comunicação. O contraponto institucional é limitado: a AIMA afirmou que pedidos de nacionalidade são responsabilidade do Instituto dos Registos e do Notariado e que o controle fronteiriço cabe à PSP, razão pela qual não comentaria o caso. IRN e PSP não apresentaram resposta. Agora, a defesa busca um novo visto para que o estudante retorne antes das aulas e não perca o ano letivo.

https://resumosbrasil.com/stories/01a077c3-3b57-3d48-7062-2daa70acc09c

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