AfD vence de forma histórica, mas pode ficar longe do governo
AfD vence de forma histórica, mas pode ficar longe do governo
Com 92% dos votos apurados, a Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançava 45% na Saxônia-Anhalt, contra 16% da União Democrata-Cristã (CDU). Foi o pior resultado estadual da CDU desde a reunificação alemã e mais que o dobro da votação anterior da AfD.
Para Ulrich Siegmund, candidato da legenda ao governo, as urnas marcaram o “começo de uma nova era”. “É um dia incrivelmente maravilhoso, não apenas para a Saxônia-Anhalt, mas para a Alemanha”, afirmou. A colíder nacional Alice Weidel foi além: disse que o partido recebeu um “mandato muito claro” para governar.
O tamanho da vitória, contudo, contrasta com o isolamento parlamentar. Sem maioria absoluta, a AfD precisará atrair apoio, negociar abstenções ou assistir a CDU tentar montar uma aliança com SPD, Verdes e A Esquerda. Franziska Hoppermann, secretária-geral democrata-cristã, fechou a porta: “Não trabalhamos com partidos extremistas”.
Os críticos enxergam mais que uma disputa por cadeiras. Josef Schuster, presidente do Conselho Central dos Judeus, declarou estar “pessoalmente chocado”, enquanto manifestantes disseram temer uma presença mais aberta de apoiadores da direita radical nas ruas. Já a agência de inteligência estadual classifica a seção regional da AfD como uma organização de extrema direita — designação rejeitada pelo partido.
Há um ponto de convergência entre vencedores e derrotados: o resultado ultrapassa as fronteiras da Saxônia-Anhalt. Siegmund o apresenta como impulso para uma transformação nacional; integrantes da coalizão federal o tratam como advertência. “É um sinal para Berlim”, resumiu o vice-chanceler Lars Klingbeil. A AfD conquistou a urna; agora, o Parlamento decidirá se conquistou também o governo.
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