Pró-governo diz que Gilberto Gil sinaliza despedida do Rock in Rio, mas ainda domina o palco

Aos 84 anos, Gil admitiu cansaço e levantou a possibilidade de não voltar ao festival. A voz e os movimentos refletiram o peso do tempo, mas o repertório vibrante e a reação da multidão mostraram um artista ainda criativo.
Pró-governo diz que Gilberto Gil sinaliza despedida do Rock in Rio, mas ainda domina o palco

Pró-governo diz que Gilberto Gil sinaliza despedida do Rock in Rio, mas ainda domina o palco
Gilberto Gil entrou lentamente no Palco Mundo, mas não demorou a transformar uma apresentação de pouco mais de uma hora em um encontro entre despedida e permanência. Aos 84 anos e em sua quinta participação no Rock in Rio, o cantor foi direto ao falar com a plateia: “Eu estive aqui no primeiro Rock in Rio. Talvez esse seja o meu último. Estou cansado, vamos ver”. Apesar da voz mais frágil e da pouca movimentação, encadeou 16 músicas e mostrou domínio do palco.

Esse primeiro retrato enfatiza os sinais físicos do tempo. Gil havia encerrado a turnê “Tempo Rei”, divulgada como despedida das grandes excursões, após cerca de 30 apresentações no Brasil, na Argentina e no Chile. A fala no festival sugere agora um adeus mais específico — não necessariamente à música, mas a outro de seus grandes palcos.

A leitura alternativa é menos melancólica. Diante de um público numeroso e participativo, Gil foi descrito como “absolutamente em forma” e atento ao presente. Abriu o show aproximando “Cérebro Eletrônico” e “Pela Internet”, canções de décadas diferentes que dialogam com tecnologia, humanidade e a ascensão da inteligência artificial. Quando mencionou uma possível última passagem pelo festival, ouviu um forte “não” da multidão, mas reiterou que deseja descansar.

As duas perspectivas convergem num ponto: não houve uma despedida acomodada. Entre sucessos como “Andar com Fé”, “Realce” e “Aquele Abraço”, Gil incluiu Bob Marley, Rita Lee e Barão Vermelho, além de chamar Liminha para “Vamos Fugir”. O corpo indicava cansaço; o repertório, porém, continuava inquieto. Se foi mesmo seu último Rock in Rio, Gil saiu sem fechar a porta da criação — apenas reivindicando o direito de diminuir o passo.

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