Oposição diz que documentário revela a face menos conhecida de Madre Teresa
Oposição diz que documentário revela a face menos conhecida de Madre Teresa
Com 66 minutos e mais de 200 pessoas na estreia em Calcutá, “Madre Teresa – Profeta da Compaixão” aposta em episódios pouco conhecidos para ampliar a imagem da religiosa. Produzido pelo jornalista Anto Akkara, o filme percorre a trajetória iniciada na Índia em 1948 e a expansão mundial das Missionárias da Caridade, com destaque para a atuação da congregação em áreas de conflito, como Iêmen, Gaza e Ucrânia.
De um lado, a produção rejeita a leitura de que a assistência prestada pela ordem seria um instrumento de conversão religiosa. Em seu lugar, apresenta um serviço gratuito dirigido a órfãos, pessoas com deficiência, pacientes com hanseníase e comunidades em extrema pobreza. Um dos exemplos dessa aproximação entre credos é o Convento Radharani, batizado em homenagem à mulher hindu que doou o terreno para um centro da congregação.
Do outro, o material fornecido não traz críticos nem desenvolve as acusações contestadas pelo documentário. O contraponto aparece, portanto, filtrado pela própria produção, que define a missão como um esforço para “globalizar a compaixão e o cuidado”.
O filme reforça essa interpretação com histórias de forte apelo: os sáris brancos com listras azuis seriam tecidos por pessoas afetadas pela hanseníase; um papamóvel teria sido sorteado para financiar um hospital; e Madre Teresa teria recusado um convite papal para viajar ao interior da Índia e intervir em favor de bebês com deformidades.
Também ganha espaço sua habilidade de aproximar adversários ideológicos. O ex-ministro-chefe marxista Jyoti Basu teria resumido essa influência com uma frase: “Esta senhora me torna um mau marxista, fazendo-me acreditar na divindade.” Mais que uma biografia, o documentário constrói a imagem de uma liderança humanitária que buscava converter diferenças — não pessoas — em cooperação.
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