Oposição diz que Move Brasil exclui quem mais precisa e libera só 13% do crédito

Dos R$ 30 bilhões previstos, apenas R$ 4 bilhões chegaram aos motoristas. Governo culpa entraves bancários; representantes da categoria apontam falhas no desenho do programa e exigências incompatíveis com a realidade dos trabalhadores.
Oposição diz que Move Brasil exclui quem mais precisa e libera só 13% do crédito

Oposição diz que Move Brasil exclui quem mais precisa e libera só 13% do crédito
Criado para facilitar a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativo, o Move Brasil financiou 40 mil automóveis e liberou R$ 4 bilhões em pouco mais de dois meses. O montante equivale a apenas 13,3% dos R$ 30 bilhões autorizados.

As condições parecem atraentes: financiamento de até 100% do veículo, seis meses de carência e juros anuais limitados a 12,6% para homens e 11,5% para mulheres. Na prática, o governo reconhece três obstáculos: reprovações na análise de crédito, falhas operacionais e pouco interesse dos bancos privados, responsáveis por assumir o risco das operações.

Os críticos enxergam um problema de origem. O programa começou antes da entrada em funcionamento do Fundo Garantidor para Investimentos, criado para reduzir o risco das instituições financeiras. Para Samuel Barros, professor de Finanças do Ibmec, também houve uma “falsa crença” de que motoristas com restrições no CPF conseguiriam financiamento. Ele defende garantias mais robustas, regularização de CPFs e uma separação clara entre elegibilidade e aprovação bancária.

A distância entre promessa e acesso aparece com mais força na avaliação da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo. Segundo a entidade, 92% da categoria tem restrições no CPF. “O programa ajuda apenas aqueles motoristas que não precisavam dele. Quem realmente precisa ficou de fora”, afirmou o presidente da associação, Eduardo Lima de Souza.

O governo tentou reagir elevando o teto do financiamento para R$ 200 mil e ampliando os tipos de veículos híbridos elegíveis. Para os representantes dos motoristas, porém, aumentar o limite não resolve a barreira central: a exigência de nome limpo. Também há críticas à ausência de uma exigência de produção nacional, o que permitiria financiar veículos importados ou montados com componentes estrangeiros.

Assim, enquanto o governo responsabiliza riscos de crédito e baixa adesão bancária, a oposição apresenta o resultado como evidência de um programa mal calibrado: barato no papel, mas inacessível para boa parte do público que pretendia alcançar.

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