Pró-governo diz que professores e escolas sem celular aliviam o retrato crítico do Pisa

O Brasil mantém notas baixas e enorme distância entre estudantes de diferentes condições socioeconômicas. Dedicação docente, restrição aos celulares e maior confiança na escola são os raros contrapontos positivos.
Pró-governo diz que professores e escolas sem celular aliviam o retrato crítico do Pisa

Pró-governo diz que professores e escolas sem celular aliviam o retrato crítico do Pisa
O Pisa 2025 oferece pouco espaço para comemoração. Embora países ricos também tenham registrado seu pior desempenho histórico, o Brasil permanece distante da média internacional e praticamente parado desde 2015. “Essa estabilidade nos resultados se arrasta há mais de uma década em todas as áreas do conhecimento no Brasil”, afirma o relatório citado pela imprensa.

Os números expõem o tamanho do problema: 72% dos estudantes brasileiros de 15 anos ficaram abaixo do nível esperado em matemática, ante 35% na OCDE. Em ciências, foram 52%, e em leitura, 51%. A queda internacional reduz parte da distância, mas não porque o Brasil tenha avançado de forma consistente: em matemática, a diferença ainda chega a 92 pontos.

A leitura mais favorável aparece fora das notas. Entre os alunos brasileiros, 82% dizem que o professor de ciências demonstra interesse pela aprendizagem de cada estudante; 78% afirmam que o docente continua ensinando até que compreendam. Ao mesmo tempo, a parcela de escolas que proibiam celulares saltou de 37% para 81% entre 2022 e 2025, após a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Esse ambiente mais positivo, porém, ainda não rompeu a barreira social. Em ciências, os 25% de maior nível socioeconômico superaram em 96 pontos os 25% de menor nível — diferença acima dos 85 pontos observados na OCDE. A origem socioeconômica explica 16% da variação do desempenho brasileiro.

Há também um limite importante para a comparação: o Pisa mede competências definidas pela OCDE, não o currículo específico de cada país. Por isso, especialistas alertam que o ranking, isoladamente, não explica a qualidade nem as causas dos resultados educacionais.

O contraste é direto: professores mais bem avaliados, menos celulares e maior confiança na escola sugerem bases promissoras. Mas, sem transformar esse ambiente em aprendizagem e reduzir a desigualdade, o país continuará celebrando sinais laterais enquanto o desempenho central permanece travado.

https://resumosbrasil.com/stories/01a080c6-d083-16be-728e-21fb3febd95c

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