STF tem maioria para afastar chefes da PF, mas vista de Gilmar deixa desfecho em aberto

Três ministros apoiaram a medida de André Mendonça contra Andrei Rodrigues e Leandro Almada. A liminar continua válida, enquanto a AGU prepara recurso e o Supremo aprofunda uma crise sobre os limites da atuação da PF.
STF tem maioria para afastar chefes da PF, mas vista de Gilmar deixa desfecho em aberto

STF tem maioria para afastar chefes da PF, mas vista de Gilmar deixa desfecho em aberto
O placar está formado, mas o julgamento não terminou. André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram para manter o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Gilmar Mendes pediu vista, e Dias Toffoli ainda não votou.

A diferença entre as leituras está menos no placar do que em seus efeitos. Uma cobertura afirma que a decisão de Mendonça “já foi validada pela Justiça, independentemente dos magistrados que restam”. Outra ressalta que a conclusão foi adiada, que Gilmar pode reter o processo por até 90 dias e que os ministros ainda poderão ajustar seus votos quando a análise for retomada. A liminar, porém, continua valendo.

Mendonça sustenta que relatórios de inteligência revelam um “monitoramento e coleta dirigida ilegal” sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Também classificou o material como de “absoluta impropriedade técnica e ilicitude na sua produção” e determinou investigações sobre Andrei e Almada.

Do outro lado, a crise ganhou força após Mendonça retirar o sigilo de documentos com registros envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes reagiu encaminhando relatórios que apontariam possíveis irregularidades na atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.

A PF afirma que haveria “indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial”, enquanto Mendonça considera os documentos ilegítimos e de baixa confiabilidade. A Advocacia-Geral da União anunciou que recorrerá do afastamento. Edson Fachin, presidente do STF, tenta deslocar o confronto para uma apuração institucional.

Fora do tribunal, o pedido de vista alimentou suspeitas políticas. Eduardo Bolsonaro resumiu o placar e questionou: “Pediu vista: Gilmar Mendes. Por quê?”. Por ora, a maioria sustenta a liminar; a vista impede apenas que esse placar se transforme em decisão definitiva.

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