Pró-governo diz que Pisa expõe estagnação do Brasil enquanto crise educacional atinge até países ricos

O Brasil continua muito abaixo da OCDE, com 72% dos jovens sem domínio básico de matemática. Desigualdade socioeconômica e baixa capacidade digital aprofundam um quadro que pouco mudou em uma década.
Pró-governo diz que Pisa expõe estagnação do Brasil enquanto crise educacional atinge até países ricos

Pró-governo diz que Pisa expõe estagnação do Brasil enquanto crise educacional atinge até países ricos
O Pisa 2025 desenha dois movimentos distintos. Nos países ricos, as notas caíram aos piores níveis da série histórica. No Brasil, quase não saíram do lugar — uma estabilidade que está longe de ser boa notícia.

Em matemática, estudantes brasileiros marcaram os mesmos 377 pontos de 2015. Leitura ficou em 408, apenas um ponto acima de dez anos atrás, enquanto ciências chegou a 409. O próprio relatório resume: “Essa estabilidade nos resultados se arrasta há mais de uma década em todas as áreas do conhecimento no Brasil”.

A comparação amplia o contraste. Embora 29% dos jovens da OCDE estejam abaixo do desempenho esperado nas três áreas, a proporção brasileira chega a 43,8%. Em matemática, 72% dos alunos do país não alcançam o nível básico, ante 35% na OCDE. Na prática, muitos têm dificuldade para comparar trajetos ou converter preços — habilidades comuns na vida cotidiana.

O problema também tem forte recorte socioeconômico. Em ciências, a distância entre os 25% mais favorecidos e os 25% menos favorecidos alcançou 96 pontos no Brasil, acima dos 85 pontos registrados na OCDE. Entre países com desempenho semelhante, essa foi a maior diferença. A origem social explica 16% da variação das notas brasileiras, contra 12% no bloco.

Há, porém, um avanço pontual: a parcela de estudantes em escolas que proíbem celulares saltou de 37% para 81% entre 2022 e 2025. O ganho convive com outra deficiência. O indicador brasileiro de capacidade digital das escolas ficou em -0,86, muito abaixo do -0,03 da OCDE, embora 48% dos alunos já usem inteligência artificial semanalmente nas tarefas.

Nas redes sociais, Allan dos Santos classificou o resultado como “o maior problema do Brasil”, ao compartilhar o dado sobre matemática. A reação resume a urgência; os números, contudo, mostram que não há uma causa única. Estagnação, desigualdade e integração precária da tecnologia formam o mesmo bloqueio.

https://resumosbrasil.com/stories/01a0820f-e7ba-096a-737a-257d23d20367

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