Mendonça solta investigados do INSS, mas mantém cerco judicial

Com os inquéritos da PF concluídos, o ministro trocou prisões e tornozeleiras por restrições menos severas. A decisão contrariou a PGR, mas não encerra as acusações nem livra os investigados de controle judicial.
Mendonça solta investigados do INSS, mas mantém cerco judicial

Mendonça solta investigados do INSS, mas mantém cerco judicial
As decisões de André Mendonça afrouxam o regime imposto a investigados na Operação Sem Desconto, mas estão longe de significar liberdade irrestrita. O ministro do Supremo Tribunal Federal substituiu as prisões preventivas do ex-procurador do INSS Virgílio Antônio de Oliveira Filho e do contador da Conafer Samuel Crisóstomo do Bomfim Junior pelo uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

A justificativa central é processual: com a Polícia Federal encerrando as principais diligências desse núcleo, a prisão teria perdido parte de sua função de proteger a investigação. No caso de Samuel, Mendonça afirmou que “diminui sensivelmente a necessidade de segregação física como instrumento de proteção da atividade investigativa”.

A decisão sobre Virgílio, porém, contrariou a Procuradoria-Geral da República, que defendia sua permanência na prisão. Investigado sob suspeita de receber R$ 11,9 milhões de entidades associativas, ele deverá entregar o passaporte, usar tornozeleira e evitar contato com investigados e testemunhas. Mendonça ressaltou que a mudança “não significa absolver o investigado” nem antecipa qualquer conclusão sobre culpa ou inocência.

O contraste aparece sobretudo na ênfase. De um lado, a cobertura trata as decisões como uma sequência de solturas e retirada de tornozeleiras. De outro, destaca-se a revisão técnica das cautelares após o avanço dos inquéritos. As duas leituras convergem num ponto: o controle judicial continua.

Gilmar Stelo, José Carlos Oliveira e Pedro Alves Corrêa Neto deixarão de usar monitoramento eletrônico, mas seguem impedidos de contatar outros alvos e testemunhas, frequentar determinadas entidades, acessar unidades do INSS e da Dataprev ou sair do Brasil. Mendonça, portanto, reduziu as medidas mais invasivas sem desmontar a barreira destinada a evitar interferências no caso.

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