Fachin cancela plenário enquanto decisões rivais mergulham o STF em crise

A suspensão inédita evitou uma exposição pública do choque entre Flávio Dino e André Mendonça, mas adiou julgamentos importantes e deixou Fachin sob pressão para arbitrar a disputa.
Fachin cancela plenário enquanto decisões rivais mergulham o STF em crise

Fachin cancela plenário enquanto decisões rivais mergulham o STF em crise
O cancelamento da sessão de 9 de setembro transformou Edson Fachin em árbitro — e também em alvo — de uma crise aberta no Supremo. A medida foi descrita como “atípica e inédita desde a redemocratização”; um assessor afirmou que, em 27 anos acompanhando a Corte, nunca havia presenciado algo semelhante.

De um lado, a suspensão aparece como uma tentativa de baixar a temperatura. O plenário poderia virar palco para manifestações sobre o embate entre Flávio Dino e André Mendonça, além de expor divergências relacionadas a Alexandre de Moraes. Ao cancelar a reunião, o STF evitou “ao menos por ora” que o colegiado se tornasse o palco público da crise — mas também adiou julgamentos relevantes.

De outro, a decisão reforçou a percepção de que Fachin perdeu o controle do calendário da resposta institucional. O presidente já havia dado 72 horas para Mendonça se manifestar sobre o recurso da Advocacia-Geral da União contra o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e de Leandro Almada. Dino, porém, determinou antes a reintegração dos dois, antecipando uma saída enquanto Fachin ainda aguardava a manifestação do colega.

Dino sustentou que o afastamento prejudicaria investigações sob sua supervisão e deveria ser submetido ao plenário. Também acusou Mendonça de interferir nas competências de outros ministros e destacou a notícia de que ele teria recebido Daniel Vorcaro, investigado em processo sob sua responsabilidade, para uma reunião em empresa privada.

A oposição enxergou nessa intervenção não uma correção, mas uma interdição. Rodrigo Constantino resumiu a reação em uma palavra — “GOLPE!” — ao compartilhar a avaliação de que Dino teria impedido decisões individuais sobre o tema. Já a leitura favorável à intervenção ressalta que partidos políticos não teriam legitimidade para pedir cautelares penais e que afastamentos dessa gravidade não deveriam paralisar diligências urgentes.

As duas visões convergem apenas num ponto: decisões conflitantes sobre o comando da PF expuseram uma fratura incomum no STF. O cancelamento comprou tempo para Fachin, mas não produziu o armistício.

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