Rastro de R$ 750 mil liga emendas ao filme sobre Bolsonaro, mas Frias fala em armação

A PF apura se recursos destinados por Mário Frias foram triangulados para a produtora de Dark Horse. O deputado nega irregularidades, promete colaborar e diz que a investigação será arquivada.
Rastro de R$ 750 mil liga emendas ao filme sobre Bolsonaro, mas Frias fala em armação

Rastro de R$ 750 mil liga emendas ao filme sobre Bolsonaro, mas Frias fala em armação
A Polícia Federal suspeita que ao menos R$ 750 mil em recursos federais tenham percorrido uma cadeia de entidades e empresas antes de chegar à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, cinebiografia ainda não lançada de Jair Bolsonaro. A empresa movimentou R$ 19 milhões durante o período das filmagens, segundo a apuração, que destaca a “coincidência temporal” entre as gravações e gastos com hotel, alimentação e produtoras.

No desenho investigado, Mário Frias destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. Parte do dinheiro foi repassada a duas empresas sob a justificativa de fornecer kits pedagógicos; depois, outra companhia do mesmo grupo transferiu R$ 750 mil à Go Up. PF e CGU suspeitam de contratos simulados e pesquisas de preços fraudadas. A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca em quatro unidades da Federação, mas não realizou prisões.

A defesa política segue na direção oposta. Alvo das buscas e produtor executivo do filme, Frias chamou a operação de “cortina de fumaça”, negou irregularidades e afirmou que entregará os documentos solicitados. O deputado também disse acreditar que o caso acabará arquivado. Flávio Bolsonaro, que não é investigado nesse inquérito, sustenta que nenhum recurso público foi usado no longa.

Já a decisão do ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, reforçou a cautela da investigação: além de autorizar as buscas, determinou a apreensão de passaportes e proibiu contatos entre investigados. Outra frente apura eventual participação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme — apresentada pelos envolvidos como uma relação privada, mas ainda sem detalhamento público dos valores. Assim, o choque central permanece: para os investigadores, há sinais de triangulação; para Frias, trata-se de uma ofensiva sem base que não sobreviverá ao escrutínio.

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