Pró-governo diz que avanço houthi em Mokha põe petróleo e rota global sob pressão

A tomada do porto aproxima os houthis de uma passagem vital para o comércio entre Ásia e Europa. O grupo nega querer fechar Bab el-Mandeb, mas mercados e analistas temem que a instabilidade encareça energia e transporte.
Pró-governo diz que avanço houthi em Mokha põe petróleo e rota global sob pressão

Pró-governo diz que avanço houthi em Mokha põe petróleo e rota global sob pressão
A tomada de Mokha pelos houthis abriu uma segunda frente de preocupação para o mercado de energia. O Brent saltou 6,34%, para US$ 107,63 por barril, enquanto o WTI rompeu os US$ 100; o temor é que as interrupções antes concentradas no Estreito de Ormuz alcancem outras rotas e instalações da região.

O ponto de tensão é Bab el-Mandeb, passagem que conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho e, pelo Canal de Suez, à Europa. Antes da guerra, o estreito respondia por 12% do fluxo mundial de petróleo. Sua importância cresceu depois que a Arábia Saudita passou a escoar mais produção por Yanbu para contornar Ormuz. Nesse cenário, o especialista Andreas Krieg resume: “o maior perigo não é necessariamente o fechamento físico de Bab el-Mandeb, mas a incerteza persistente”.

Mokha fica cerca de 70 quilômetros ao norte do estreito e não dá aos houthis controle direto da passagem. Ainda assim, o avanço, somado ao domínio do porto de Hodeida e à tomada relatada da ilha de Zuqar, amplia sua capacidade de pressionar o tráfego. A reação saudita veio com dezenas de ataques aéreos, aprofundando uma escalada que rompeu a trégua informal vigente desde 2022.

Os houthis apresentam uma leitura mais limitada de seus objetivos. O grupo nega querer fechar Bab el-Mandeb ou cobrar direitos de trânsito e afirma que não ameaçará embarcações sem origem ou destino em portos sauditas no Mar Vermelho. Para o Instituto para o Estudo da Guerra, porém, a estratégia é elevar o custo econômico e político do conflito até que Riad encerre suas operações militares.

A distinção pode ser clara no discurso, mas pesa menos nos mercados. Bab el-Mandeb registrou 27 navios em um dia, abaixo da média de 36 em agosto e dos mais de 50 anteriores à crise. Com Ormuz já severamente afetado, a ameaça simultânea às duas passagens ajuda a explicar por que qualquer novo ataque agora repercute quase imediatamente no preço do petróleo.

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