Pró-governo diz que suspeitas da PF colocam versão de Mário Frias sobre “Dark Horse” sob pressão

A PF rastreia emendas, empresas intermediárias e pagamentos à produtora do filme sobre Bolsonaro. Frias e Flávio Bolsonaro falam em interferência eleitoral, enquanto as defesas negam irregularidades.
Pró-governo diz que suspeitas da PF colocam versão de Mário Frias sobre “Dark Horse” sob pressão

Pró-governo diz que suspeitas da PF colocam versão de Mário Frias sobre “Dark Horse” sob pressão
A Operação Make Up colocou frente a frente duas narrativas. Para a Polícia Federal, datas, valores e vínculos empresariais levantam suspeitas sobre o caminho de recursos destinados pelo deputado Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Para o parlamentar, a investigação é uma ação política em ano eleitoral.

O ponto central é uma transferência de R$ 750 mil à Go Up Entertainment durante as filmagens de “Dark Horse”. O dinheiro passou por uma empresa ligada ao mesmo fornecedor que recebeu recursos do ICB. A própria PF ressalva que os elementos disponíveis ainda não permitem afirmar que o valor tenha “origem direta” nas emendas, mas considera as coincidências relevantes para reconstruir o fluxo financeiro.

Frias sustenta que os R$ 2 milhões foram destinados a projetos esportivos e de letramento digital. “Se há uma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça”, afirmou, prometendo colaborar. Nas redes, aliados também sugeriram motivação política e possível vazamento prévio da ação da PF. Já Rodrigo Constantino, voz influente no campo conservador, contestou a tentativa de deslocar o debate: “Cortina de fumaça é desviar o foco para o Nikolas quando a investigação é sobre atos suspeitos do Frias”.

Flávio Bolsonaro, que não é investigado neste inquérito, foi além: disse que o filme não recebeu “um centavo do dinheiro público” e acusou o ministro Flávio Dino de interferência eleitoral.

Karina Gama, responsável pela produtora e pelo ICB, negou irregularidades. Sua defesa afirma que ela entregou mais de 20 mil páginas de documentos e cobra respeito ao devido processo legal. A prefeitura de São Paulo e uma empresa terceirizada também rejeitaram qualquer ligação entre contratos municipais de wi-fi e o financiamento do filme.

A disputa, portanto, permanece aberta: os investigados denunciam perseguição; a PF tenta demonstrar se coincidências financeiras formam, de fato, um circuito de desvio e lavagem de dinheiro.

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