Deflação surpreende, mas alívio na conta de luz pode durar pouco
Deflação surpreende, mas alívio na conta de luz pode durar pouco
O IPCA recuou 0,32% em agosto, após avançar 0,07% em julho. Nas fontes reunidas sob a perspectiva pró-governo, o destaque está no alívio disseminado: habitação caiu 1,87%, transportes recuaram 0,86% e alimentação e bebidas cederam 0,34%. Em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,44% para 4,22%, permanecendo abaixo do teto de 4,5% da meta do Banco Central.
O número também veio melhor que a mediana projetada pelo mercado. Mas a mesma cobertura reconhece que a conta de luz foi decisiva: a energia elétrica residencial despencou 7,63% com o bônus de Itaipu e retirou 0,33 ponto percentual do índice. Sem esse componente, o IPCA teria registrado leve alta de 0,01%. O benefício é temporário e tende a desaparecer das faturas seguintes.
Entre as fontes de oposição, os dados centrais são semelhantes, mas o contraste aparece nos detalhes. A queda foi a maior desde agosto de 2022 e atingiu itens relevantes do orçamento doméstico, como passagens aéreas, combustíveis, batata, tomate e ovos. Ao mesmo tempo, despesas pessoais subiram 1,30%, pressionadas pelo salto de 19,59% no preço do cigarro.
A leitura mais cautelosa resume agosto como uma boa fotografia, não como vitória definitiva. O conselheiro da Ancord Pablo Spyer afirmou que “boa parte desse alívio veio de fatores pontuais” e que “ainda não dá para dizer que a batalha contra a inflação está ganha”. A projeção do Focus de 5% para o fim do ano — acima do teto da meta —, os serviços e o petróleo acima de US$ 100 mantêm a dúvida: a deflação abriu espaço para juros menores, mas sua duração ainda está em disputa.
https://resumosbrasil.com/stories/01a09183-1be8-1e73-7107-29533bec5c82
Write a comment