Celular lacrado de Vorcaro acirra disputa no STF antes de julgamento

Zanin exige que todos os ministros tenham acesso integral aos dados usados no caso Master, enquanto Mendonça afirma que a cópia sob sua guarda permanece criptografada e intocada.
Celular lacrado de Vorcaro acirra disputa no STF antes de julgamento

Celular lacrado de Vorcaro acirra disputa no STF antes de julgamento
O pedido de Cristiano Zanin expôs uma nova frente de atrito no Supremo. Às vésperas do julgamento do caso Master, o ministro solicitou a Edson Fachin que os dados brutos extraídos do celular de Daniel Vorcaro sejam entregues em um HD separado, medida que, segundo ele, serviria para “otimizar a análise”. A cobertura crítica destacou um contraste: no julgamento do núcleo central do suposto golpe, Zanin rejeitou queixas sobre o volume de provas e lembrou já ter trabalhado com acervos de até 70 terabytes.

Já a leitura pró-governo enfatizou menos essa aparente mudança e mais a necessidade de exame completo. O pedido está ligado à Petição 15.556 e busca subsidiar a análise das medidas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República. Essa cobertura também ressaltou que o aparelho foi apreendido na Operação Compliance Zero, investigação sobre supostas fraudes de aproximadamente R$ 12 bilhões envolvendo Banco Master e BRB.

A resposta de André Mendonça, porém, não resolveu o impasse. O ministro disse que não possui o telefone original: seu gabinete teria recebido da Polícia Federal apenas uma cópia de segurança, armazenada em HD criptografado e mantida “lacrada e intocada até o presente momento”. Ele não informou se autorizaria a abertura ou o compartilhamento. Zanin reiterou então que o material “deve ser compartilhado com os demais julgadores”, para assegurar a todos a mesma oportunidade de análise.

Há, portanto, concordância sobre a relevância dos dados, mas divergência sobre o que o episódio revela. De um lado, o pedido é apresentado como precaução indispensável antes do julgamento; de outro, como incoerência e sinal de que a liberação anterior foi incompleta. Nas redes, Enio Viterbo ampliou a controvérsia ao cobrar também informações sobre o aparelho usado por Alexandre de Moraes — uma provocação política, não uma constatação presente nos documentos citados.

https://resumosbrasil.com/stories/01a092cc-a6ae-017d-729c-1cd8ec8e69bf

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