Parlamento britânico barra morte assistida por margem mínima, mas debate está longe do fim

A proposta caiu por 286 votos a 270. Defensores falam em crueldade para pacientes terminais; críticos celebram a proteção de pessoas vulneráveis e cobram melhores cuidados paliativos.
Parlamento britânico barra morte assistida por margem mínima, mas debate está longe do fim

Parlamento britânico barra morte assistida por margem mínima, mas debate está longe do fim
Por apenas 16 votos, o Parlamento britânico rejeitou a legalização da morte assistida na Inglaterra e no País de Gales. Foram 286 votos contra e 270 a favor, após quatro horas de debate. O governo trabalhista permaneceu neutro, deixando os deputados livres para votar de acordo com a própria consciência.

A proposta permitiria o procedimento a adultos com prognóstico de até seis meses de vida. O pedido precisaria do aval de dois médicos e de um grupo de especialistas, enquanto o próprio paciente teria de administrar a substância letal. Para os defensores, essas salvaguardas conciliavam autonomia e proteção.

Lauren Edwards, deputada trabalhista que reapresentou o texto, disse que o Parlamento havia “deixado passar sua chance”. Segundo ela, a legislação atual — que prevê até 14 anos de prisão para quem ajuda outra pessoa a morrer — é “simplesmente cruel e injusta demais para ser mantida como está”. A Dignity in Dying classificou a derrota como “um revés devastador” e afirmou que a mudança continua sendo uma questão de “quando”, não de “se”.

Do outro lado, organizações de pessoas com deficiência e lideranças religiosas viram a mesma proposta como uma ameaça. O coletivo Assist Us To Live chamou o resultado de “vitória” para quem poderia ter sido colocado em perigo. O ativista Philip Friend afirmou que o projeto não oferecia as proteções necessárias.

A hierarquia católica britânica apresentou argumento semelhante, mas com ênfase no cuidado. O arcebispo John Sherrington declarou que uma sociedade compassiva deve apoiar pessoas em situações difíceis, “em vez de encorajá-las a encerrar suas vidas”, e defendeu maior acesso a cuidados paliativos e de fim de vida.

A divisão permanece aberta. Embora dois em cada três britânicos apoiem, em princípio, a legalização, segundo pesquisa Ipsos citada pela imprensa, a maioria parlamentar concluiu que as salvaguardas ainda não bastavam.

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