Celular de Vorcaro abre novo impasse no STF antes de julgamento
Celular de Vorcaro abre novo impasse no STF antes de julgamento
A poucos dias do julgamento do caso Master, o celular de Daniel Vorcaro virou o centro de um impasse no Supremo Tribunal Federal. Cristiano Zanin quer que cada ministro receba a íntegra dos dados extraídos do aparelho, enquanto o relator André Mendonça defende que o material bruto permaneça lacrado.
Zanin argumenta que cabe a cada julgador decidir quais elementos são necessários para formar sua convicção. Também afirma que a cadeia de custódia protege o aparelho original — mantido pela Polícia Federal — e não impediria o compartilhamento da cópia de segurança entregue ao gabinete do relator. Como a defesa de Vorcaro já recebeu acesso integral, barrar os ministros criaria, em suas palavras, uma “evidente incongruência”.
Mendonça enxerga o risco no sentido oposto. Segundo ele, a cópia está em um envelope lacrado, nunca foi manuseada e serve apenas como contraprova caso o material original seja perdido ou extraviado. O ministro afirma ainda possuir “exatamente o mesmo conjunto de elementos de informação” disponibilizado aos colegas para o julgamento.
O contraste, portanto, não está apenas em quem pode abrir o arquivo, mas no que cada ministro considera mais ameaçador. Para Zanin, limitar o acesso pode enfraquecer a análise independente do plenário. Para Mendonça, liberar indiscriminadamente os dados poderia comprometer “o sigilo e a eficiência da persecução penal”, sobretudo diante da possibilidade de novas operações. Ele também rejeitou a tese de tratamento desigual: “Não há que se falar em violação da igualdade entre julgadores”, escreveu.
Fora dos autos, a controvérsia alimentou cobranças políticas nas redes. Enio Viterbo aproveitou o pedido de Zanin para questionar, em tom provocativo, o paradeiro de um celular usado por Alexandre de Moraes — uma associação não acompanhada, na publicação, de evidências sobre o caso Master.
O plenário terá, assim, de lidar com duas cautelas concorrentes: ampliar a informação disponível aos julgadores sem expor dados capazes de afetar diligências ainda em andamento.
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