Pró-governo diz que produtor de ‘Dark Horse’ trava acesso da PF a documentos nos EUA

Michael Brian Davis invoca o devido processo legal americano para negar o envio voluntário de registros financeiros. A PF busca rastrear o dinheiro do filme, enquanto Flávio Bolsonaro afirma querer transparência total.
Pró-governo diz que produtor de ‘Dark Horse’ trava acesso da PF a documentos nos EUA

Pró-governo diz que produtor de ‘Dark Horse’ trava acesso da PF a documentos nos EUA
A disputa não gira apenas em torno do conteúdo dos documentos, mas de como a Polícia Federal poderá alcançá-los. Michael Brian Davis, sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC nos Estados Unidos, recusou o envio voluntário de registros societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais mantidos no país.

Em e-mail encaminhado à produtora Karina Ferreira da Gama, Davis afirmou que qualquer solicitação brasileira deve passar pelos mecanismos formais de cooperação jurídica, como carta rogatória ou pedido de assistência judiciária mútua. Segundo ele, a entrega só poderá ocorrer por ordem de um juiz americano, “assegurando à empresa o amparo legal do processo e o direito ao contraditório”.

A posição contrasta com a urgência investigativa da PF. A corporação havia dado prazo de dez dias para a apresentação voluntária de informações e considera os registros importantes para identificar a origem dos recursos, o trânsito dos valores e os beneficiários finais do financiamento de Dark Horse, filme baseado na trajetória de Jair Bolsonaro. Entre os itens solicitados estão faturas, contratos com atores estrangeiros e comprovantes de despesas anunciadas nos Estados Unidos.

A negativa de Davis não encerra o acesso aos papéis, mas transfere a disputa para os canais judiciais e diplomáticos entre os dois países. Enquanto o produtor enfatiza jurisdição e devido processo, os investigadores procuram verificar se os gastos divulgados correspondem às despesas efetivamente realizadas.

Flávio Bolsonaro, investigado por sua atuação na captação de recursos para o longa, adota uma terceira linha: defende a divulgação do material e afirma que ela afastará suspeitas. “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto”, disse o senador, acrescentando que os documentos confirmarão que “não tem nada de errado em relação ao filme”.

Assim, todos falam em garantias, mas com prioridades distintas: Davis cobra proteção jurídica nos EUA, a PF busca rastreabilidade financeira e Flávio aposta na publicidade dos autos como resposta política.

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