Produtor condiciona documentos de “Dark Horse” a aval de juiz dos EUA
Produtor condiciona documentos de “Dark Horse” a aval de juiz dos EUA
A disputa em torno de Dark Horse atravessou fronteiras. Michael Brian Davis, sócio majoritário da Go Up Entertainment nos Estados Unidos, informou que não autoriza o envio direto à Polícia Federal de documentos financeiros, societários ou contratuais mantidos no país.
De um lado, Davis apresenta sua posição como uma salvaguarda jurídica, não como uma recusa definitiva. Em e-mail à produtora Karina Ferreira da Gama, ele afirmou que qualquer solicitação brasileira deve passar por carta rogatória, pedido de assistência judiciária mútua ou outro canal oficial. A entrega, acrescentou, só poderá ocorrer “mediante ordem emanada de juiz norte-americano”, garantindo à empresa o devido processo e o contraditório.
Do outro, a PF considera o material indispensável para reconstruir o caminho do dinheiro: origem dos recursos, movimentação dos valores, beneficiários finais, contratos, notas fiscais, operações de câmbio e comprovantes. O ofício enviado a Karina em agosto estabelecia prazo de dez dias; depois, ela pediu o apoio de Davis para preparar a resposta.
A leitura mais crítica do episódio enfatiza a dimensão financeira. A PF teria solicitado faturas, contratos com atores estrangeiros e comprovantes de aproximadamente R$ 54,2 milhões em despesas declaradas nos Estados Unidos. A defesa de Karina encaminhou parte dos documentos ao Supremo Tribunal Federal e anexou a manifestação do produtor americano.
O impasse documental se soma às apurações sobre o financiamento do filme dedicado à trajetória de Jair Bolsonaro. Uma delas examina a atuação de Flávio Bolsonaro e suspeitas que incluem lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega irregularidades e sustenta que os recursos eram privados. Em outra frente, a Operação Make Up investiga suspeitas de desvio de verbas públicas destinadas à produção por meio de emendas parlamentares.
Assim, as duas perspectivas partem do mesmo e-mail, mas chegam a ênfases distintas: Davis invoca as regras da jurisdição americana; a investigação brasileira vê nos arquivos uma trilha decisiva para esclarecer quem financiou Dark Horse e como os valores foram empregados.
https://resumosbrasil.com/stories/01a096a9-8f39-2d77-7109-110b1b7a88ae
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