Pró-governo diz que mensagens colocam Flávio Bolsonaro no centro da captação para filme sobre o pai

A PF vê participação direta do senador na busca por milhões para “Dark Horse”; Flávio admite ter pedido apoio a Daniel Vorcaro, mas sustenta que a captação era privada e nega irregularidades.
Pró-governo diz que mensagens colocam Flávio Bolsonaro no centro da captação para filme sobre o pai

Pró-governo diz que mensagens colocam Flávio Bolsonaro no centro da captação para filme sobre o pai
Relatórios da Polícia Federal traçam um papel mais amplo para Flávio Bolsonaro na produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em vez de simples personagem citado por intermediários, o senador teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, além de cobrar parcelas, discutir reuniões e acompanhar as filmagens. Segundo a investigação, “elementos indicam que o senador Flávio Nantes Bolsonaro não aparece apenas como terceiro mencionado”, mas como interlocutor direto nas tratativas de financiamento.

A cifra discutida chegaria a aproximadamente US$ 24 milhões — cerca de R$ 122 milhões —, divididos em parcelas. A PF ainda tenta determinar quanto foi efetivamente desembolsado, a origem dos recursos, o papel de empresas intermediárias e quem recebeu as remessas enviadas ao exterior. Uma transferência de US$ 1,66 milhão identificada pelo Coaf coincidiu com uma ligação entre Flávio e Vorcaro, mas os investigadores dizem que a movimentação precisa ser confrontada com contratos, registros bancários e mensagens.

A cronologia expõe o contraste central. Em setembro de 2025, Flávio teria cobrado repasses atrasados; em outubro, avisou que a produção estava “no limite”; em novembro, agradeceu ao banqueiro: “Tudo isso só está sendo possível por causa de vc!”. Na véspera da prisão de Vorcaro, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”.

Flávio, porém, apresenta outra leitura. Depois de inicialmente negar que tivesse pedido recursos, confirmou a solicitação, classificando os contatos como uma relação privada de captação de patrocínio. Afirma que não recebeu valores diretamente e que não cometeu irregularidades; sua defesa também pede a retirada integral do sigilo.

Assim, as mesmas conversas sustentam narrativas opostas: para a PF, revelam participação direta e questões financeiras ainda sem resposta; para o senador, documentam apenas uma busca legítima por patrocinadores. O relatório integra uma investigação em andamento e, isoladamente, não estabelece responsabilidade criminal.

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