Desabamento na Penha expõe obra irregular e coloca vistoria sob suspeita

Cinco pessoas morreram após um edifício cair sobre uma casa na zona leste de São Paulo. Prefeitura e construtora divergem sobre responsabilidades, enquanto a polícia investiga a obra e uma vistoria municipal.
Desabamento na Penha expõe obra irregular e coloca vistoria sob suspeita

Desabamento na Penha expõe obra irregular e coloca vistoria sob suspeita
O desabamento de um edifício de 11 pavimentos sobre uma casa na Penha deixou cinco mortos, dois sobreviventes — um homem e uma menina de 7 anos — e uma pessoa desaparecida, segundo o balanço mais recente. Após mais de 21 horas de operação, o porta-voz dos bombeiros, coronel Diógenes Lucca, manteve o foco no resgate: “Estamos aqui para salvar vidas até encontrarmos a última pessoa”.

As primeiras coberturas, publicadas quando a dimensão da tragédia ainda era incerta, falavam em duas mortes e cinco desaparecidos, além de descreverem a construção como embargada. Outro relato inicial contabilizava seis desaparecidos e destacava que o endereço possuía alvará emitido em 2023, embora a autorização exigisse a demolição da estrutura anterior. A diferença entre esses números e o balanço posterior reflete o avanço das buscas, não versões incompatíveis sobre o impacto do desastre.

A principal divergência está na responsabilidade. O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a obra começou sem alvará em 2019 e apresentava problema estrutural. Segundo a gestão, uma vistoria municipal atestou em 2024 uma demolição que, após o desabamento, técnicos concluíram não ter ocorrido. A servidora responsável foi afastada por 30 dias. Já a New Home declarou que “não há elementos que permitam afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora”, embora tenha dito que não se eximirá de responsabilidades eventualmente comprovadas.

A chuva intensa acrescenta outra frente à investigação. A Defesa Civil ainda não confirmou uma relação direta entre o temporal e a queda, mas alertou para tempestades severas, ventos acima de 60 km/h e fenômenos isolados como microexplosões e tornados. Outros desabamentos foram registrados naquela madrugada em São Paulo e na região metropolitana, sem a mesma escala de vítimas. A resposta definitiva dependerá da perícia, prevista para começar após o encerramento das buscas.

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