BRICS desafia sanções, mas consenso expõe as contradições do bloco
BRICS desafia sanções, mas consenso expõe as contradições do bloco
A Declaração de Nova Déli coloca o BRICS em rota de colisão retórica com tarifas, sanções e instituições dominadas pelas economias desenvolvidas — mas sem promover uma ruptura. Aprovado por unanimidade, o documento afirma que “o sistema multilateral de comércio chegou a uma encruzilhada crítica” e propõe ampliar gradualmente pagamentos e operações em moedas locais.
Na leitura favorável, o bloco oferece aos países emergentes mais autonomia para financiar infraestrutura, comerciar e participar das decisões internacionais. Já a cobertura crítica descreve o texto como um “consenso mínimo” entre 11 governos e aponta uma contradição: o pedido de respeito à soberania convive com a presença da Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022.
Cuba é o ponto de convergência mais evidente. Os líderes reiteraram “a necessidade de pôr fim às medidas econômicas, comerciais e financeiras” contra a ilha, atribuindo ao bloqueio impactos sobre energia, economia e condições humanitárias. O Brasil atuou para incluir o tema. Embora o comunicado não mencione Donald Trump ou os Estados Unidos nesse trecho, suas críticas foram interpretadas como um recado a Washington.
No Oriente Médio, o grupo pediu “máxima contenção”, proteção de civis e respeito a instalações nucleares pacíficas. A oposição ressalta novamente o contraste entre esses princípios e o histórico de integrantes do bloco; os defensores enfatizam a tentativa de construir uma voz diplomática alternativa à liderança ocidental.
A mesma disputa aparece na economia. O Novo Banco de Desenvolvimento foi definido como um “agente robusto e estratégico” para o Sul Global, mas a aguardada moeda comum não avançou. O BRICS quer reduzir dependências e ganhar influência — por enquanto, reformando o sistema por dentro, não abandonando-o.
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