STF é visto como poderoso demais, mas segue essencial para 71% dos brasileiros
STF é visto como poderoso demais, mas segue essencial para 71% dos brasileiros
O retrato do Datafolha é duro, mas não linear. Embora 76% dos entrevistados avaliem que os ministros do STF “têm poder demais”, 71% ainda consideram o tribunal essencial para a democracia. Na cobertura pró-governo, essa aparente contradição mostra uma Corte desgastada, porém reconhecida como necessária — e uma crise que, até agora, não alterou substancialmente a opinião pública.
A divisão política aprofunda o contraste. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 85% enxergam excesso de poder e 63% veem o STF como defensor da democracia. Entre os que declaram voto em Lula, os índices são de 67% e 81%, respectivamente. O incômodo atravessa os campos, mas é mais intenso entre os apoiadores da oposição.
Nesse grupo, o foco recai sobre a erosão da credibilidade: 77% concordam que “as pessoas acreditam menos no STF agora do que no passado”. A leitura oposicionista associa o resultado à crise envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e documentos do caso Banco Master. Rodrigo Constantino leva a crítica além e afirma que o episódio “não é um ‘desentendimento institucional’”, mas a exposição pública de práticas que, segundo ele, já ocorriam nos bastidores.
Há, contudo, um freio para interpretações de colapso imediato. Os percentuais permaneceram iguais aos registrados em abril, antes do agravamento da disputa interna, o que sugere que a turbulência ainda não produziu nova virada na percepção popular.
O levantamento ouviu presencialmente 2.002 pessoas em 125 cidades, entre 8 e 10 de setembro, e tem margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado é um alerta duplo: o STF continua visto como indispensável, mas opera sob a percepção amplamente majoritária de que concentra poder demais.
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