Pró-governo diz que vantagem da centro-esquerda não garante o poder na Suécia

A oposição chega à eleição sueca ligeiramente à frente, mas enfrenta dificuldades para formar maioria. Já o governo aposta em segurança e imigração enquanto saúde, educação e custo de vida ganham peso.
Pró-governo diz que vantagem da centro-esquerda não garante o poder na Suécia

Pró-governo diz que vantagem da centro-esquerda não garante o poder na Suécia
Os suecos foram às urnas em uma eleição apertada — e potencialmente mais complicada depois da contagem. Mais de 3,5 milhões votaram antecipadamente, acima do registrado em 2022, enquanto as pesquisas indicavam vantagem da oposição liderada pela social-democrata Magdalena Andersson.

Essa dianteira, contudo, não significa controle automático do governo. A aliança oposicionista reúne três partidos de esquerda e o Partido do Centro, progressista nos costumes, mas liberal na economia. “Se a oposição vencer, a questão será saber se conseguirá formar uma maioria parlamentar”, resumiu Marius Perrin, pesquisador da Sciences Po Paris.

Os dois blocos oferecem diagnósticos diferentes. A coalizão do primeiro-ministro Ulf Kristersson promete manter o combate à criminalidade e endurecer a política migratória. Seu aliado Democratas da Suécia, que sustenta o governo desde 2022, reivindica agora ministérios — entre eles, o da Imigração. Kristersson já sinalizou disposição para incorporá-lo formalmente ao gabinete.

A oposição desloca o foco para salários, saúde, educação e proteção social. Sua plataforma prevê impostos maiores sobre bancos e rendas elevadas, além de apoio financeiro às famílias. “Acho que a Suécia mudou e que está muito mais dividida. É necessário melhorar o sistema de saúde e a proteção social”, afirmou a eleitora Hanna Justine Hallbom.

A mudança de prioridades ajuda a explicar o equilíbrio. Segundo o cientista político Jan Teorell, criminalidade e preços dos combustíveis perderam força entre as maiores preocupações porque ambos recuaram. “Ainda há um pouco de suspense”, disse ele, diante de levantamentos que davam quase 50% ao bloco de esquerda e centro, contra 47% às quatro legendas de direita.

O contraste é claro: Kristersson oferece continuidade na segurança; Andersson, reconstrução dos serviços públicos. O ponto em comum é menos confortável: qualquer vencedor deverá negociar uma maioria em um Parlamento profundamente dividido.

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