STF é visto como poderoso demais, mas ainda essencial à democracia
STF é visto como poderoso demais, mas ainda essencial à democracia
O Datafolha captou uma combinação incômoda para o Supremo Tribunal Federal: 76% dos entrevistados dizem que seus ministros “têm poder demais”, e 77% acreditam que a população confia menos na Corte hoje do que no passado. Ainda assim, 71% consideram o tribunal essencial à democracia.
Na cobertura identificada com o campo governista, o foco recai sobre essa ambivalência — e sobre a estabilidade dos números. Os percentuais praticamente repetem os de abril, sugerindo que a turbulência envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e o caso Banco Master ainda não mudou a opinião pública. A divisão política, contudo, é evidente: 85% dos eleitores de Flávio Bolsonaro apontam excesso de poder, ante 67% dos que declaram voto em Lula. Já a visão do STF como defensor da democracia chega a 63% no primeiro grupo e 81% no segundo.
A cobertura oposicionista parte dos mesmos dados, mas acentua o “desgaste na imagem da Corte”. Também situa a pesquisa em meio à troca de acusações e decisões entre ministros sobre a divulgação de documentos da investigação do Banco Master. Nas redes, Rodrigo Constantino endureceu essa interpretação: para ele, o episódio “não é um ‘desentendimento institucional’”, mas a “exposição pública daquilo que há anos se operava nos bastidores”.
Há, porém, um limite para a narrativa de ruptura. Outro relato destacado no campo oposicionista reconhece que os percentuais permaneceram iguais aos de abril e afirma que essa estabilidade sugere que a crise institucional não afetou a opinião pública.
Assim, os lados divergem sobretudo na ênfase. Um vê resiliência institucional apesar da crise; o outro, sinais de perda de legitimidade. O retrato comum é mais complexo: os brasileiros parecem querer um Supremo menos poderoso, mas não um país sem Supremo.
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