Crise no STF ferve a campanha, mas quase não mexe no voto
Crise no STF ferve a campanha, mas quase não mexe no voto
A crise no Supremo Tribunal Federal entrou com força na disputa presidencial, mas ainda não virou votos na mesma proporção. Na leitura da oposição, o ponto central é justamente essa resistência: 85% dos entrevistados disseram que as acusações contra Alexandre de Moraes não alteraram sua preferência; no caso de André Mendonça, foram 86%. Apenas 4% afirmaram ter mudado de escolha por causa do episódio envolvendo Moraes.
A perspectiva pró-governo parte dos mesmos números, mas adota um enquadramento mais dramático. A crise é descrita como “a mais grave da história do STF”, com a ressalva de que a pesquisa captou apenas parcialmente as revelações mais recentes. Essa leitura também destaca que Flávio Bolsonaro levou o embate à campanha ao associar Lula a Moraes — movimento que pode pressionar o presidente, mas igualmente expor o próprio senador diante dos desdobramentos do caso Master.
As duas abordagens convergem, contudo, no resultado eleitoral: Lula passou de 38% para 39%, enquanto Flávio avançou de 33% para 35%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, não há evidência de uma virada provocada pela crise.
A diferença mais nítida aparece no grau de atenção. Sobre Moraes, 75% dos eleitores de Flávio disseram conhecer o caso, contra 61% entre os apoiadores de Lula. No episódio de Mendonça, a distância foi maior: 60% a 37%.
O retrato é de uma crise ruidosa, politicamente explorada e ainda aberta dentro do Supremo — mas, até agora, incapaz de romper preferências presidenciais já consolidadas. O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades, entre os dias 8 e 10.
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