Prédio da Penha tinha alvará ou estava irregular? Desabamento expõe versões conflitantes

Com ao menos cinco mortos, o desabamento na Penha abre uma disputa sobre a situação legal da obra. Prefeitura, construtora e reportagens divergem, enquanto a relação com o temporal ainda depende de perícia.
Prédio da Penha tinha alvará ou estava irregular? Desabamento expõe versões conflitantes

Prédio da Penha tinha alvará ou estava irregular? Desabamento expõe versões conflitantes
O desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo, deixou ao menos cinco mortos e abriu duas frentes de apuração: o que provocou a queda e se a obra estava, de fato, regular.

Na cobertura agrupada como pró-governo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) aparece afirmando que a construção era irregular. A construtora, porém, rebateu. Alexandre Sambi, advogado da New House, declarou que “a obra tinha alvará” e estava “totalmente regular”, acrescentando que apenas uma perícia poderá apontar a causa. No mesmo relato, Herbert Chino Choque, morador da casa atingida, descreveu a dimensão humana da emergência: “Minha filha de 7 anos e minha esposa estão sob os escombros.”

Já uma reportagem reunida no campo da oposição detalha um histórico mais intrincado. A Prefeitura acionou a Justiça em 2021 por irregularidades numa estrutura anterior e obteve a paralisação das obras. Depois, um novo projeto foi apresentado, a construção antiga foi demolida e a administração municipal emitiu, em agosto de 2023, um Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova.

Outra publicação oposicionista enfatizou que a obra estava embargada e informou que vizinhos estimavam entre sete e 11 pessoas na residência, ocupada por uma família de origem boliviana. A diferença entre os relatos — embargo, irregularidade ou autorização válida — será um dos pontos decisivos da investigação.

Também não há conclusão sobre o papel do temporal. Chovia intensamente quando o edifício caiu, mas a Defesa Civil afirmou que a relação direta ainda não estava confirmada. O órgão alertava para tempestades severas, ventos acima de 60 km/h e até fenômenos isolados como microexplosões e tornados. Entre documentos contraditórios e hipóteses climáticas, a perícia terá de separar contexto, responsabilidade e causa.

https://resumosbrasil.com/stories/01a09a86-78e3-39a7-7084-27c8a9b984be

Write a comment