Pró-governo diz que demolição ignorada pode explicar tragédia que matou seis na Penha

O desabamento expôs versões conflitantes sobre a obra: a Prefeitura investiga uma vistoria que atestou uma demolição não realizada, enquanto a construtora afirma que ainda é cedo para apontar a causa.
Pró-governo diz que demolição ignorada pode explicar tragédia que matou seis na Penha

Pró-governo diz que demolição ignorada pode explicar tragédia que matou seis na Penha
O desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo, terminou com seis mortos — três mulheres, dois homens e uma menina de sete anos. Outras duas pessoas, um homem e uma criança, foram resgatadas com vida. Após mais de 24 horas de operação, os bombeiros consideraram que todas as vítimas haviam sido encontradas e encerraram as buscas emergenciais.

Agora, o foco se desloca dos escombros para uma cadeia de decisões administrativas. A Prefeitura afirma que a construção começou sem alvará em 2019, sofreu interdições e multas e foi alvo de ação judicial. Um novo projeto recebeu autorização em 2023, mas sob uma condição decisiva: a estrutura anterior deveria ser demolida.

Uma vistoria municipal de fevereiro de 2024 atestou que a demolição havia ocorrido. Depois do desastre, porém, técnicos concluíram preliminarmente, com auxílio de relatos de vizinhos e imagens de satélite, que ela não foi executada. A servidora que assinou o laudo foi afastada por 30 dias. Segundo o controlador-geral Daniel Falcão, a medida busca evitar interferências na apuração interna e permitir uma investigação criminal conjunta com a Polícia Civil.

A New Home Construtora adota uma linha mais cautelosa. A empresa diz que abriu investigação interna e que ainda não há elementos para afirmar que o colapso decorreu exclusivamente de sua conduta. Também aponta movimentações de terra em um terreno vizinho como circunstância a ser examinada, mas declara que “não se exime de qualquer responsabilidade que eventualmente venha a ser apurada”.

Enquanto a Prefeitura enfatiza a possível irregularidade e a falha na fiscalização, a construtora ressalta que a causa permanece indeterminada. A Polícia Civil tenta fechar esse espaço entre as duas versões: um sócio-proprietário foi preso temporariamente, e outros dois mandados contra representantes da empresa estavam em andamento.

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